Eduardo dos Santos confirma retirada da vida política em Angola
Destaques - África
Escrito por Agências  
Sábado, 26 Maio 2018 08:14
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O antigo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, reafirmou esta sexta-feira a sua decisão de se retirar da vida política, a partir de Setembro próximo.

Eduardo dos Santos afirmou que a sua saída terá lugar durante o sexto congresso extraordinário do partido no poder em Angola (MPLA), a realizar-se em 7 de setembro deste ano quando ele deixará a liderança do MPLA para o atual chefe de Estado, João Lourenço.

"(...) tudo que tem um começo tem um fim, porque é assim a dialética da vida”, declarou Dos Santos diante dos membros do Comité Central do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) reunidos em Luanda para aprovar a data do próximo congresso extraordinário. Dos Santos indicou que a transição "deve ser feita sem sobressaltos" para mostrar a maturidade política do partido no poder em Angola, como "uma força com mais de 60 anos".

Ele recordou que a transição a nível do partido culminará com a eleição de um novo líder partidário, na pessoa de João Lourenço, atual vice-presidente do partido que governa o país há 42 anos, desde a Independência de Portugal, em 11 de Novembro de 1975.

Lembrou igualmente que o nome do novo candidato à liderança do partido foi por ele proposto em 2017, quando desistiu da sua recandidatura à Presidência da República, no mesmo ano. “Recordo-me ter dito em linhas gerais que tudo que tem um começo tem um fim. Porque é assim a dialéctica da vida”, afirmou.

No seu discurso, o antigo chefe de Estado angolano (1979-2017) referiu que a vida do MPLA tem um ciclo que termina, começando assim uma outra fase da sua existência. Por isso, aconselhou o partido a "saber reter tudo o que fez de positivo e lhe permitiu chegar à fase em que se encontra, estabelecendo novos objetivos para os seus militantes, visando materializar os ideais proclamados desde a sua fundação".

Para ele, a chave do sucesso do MPLA foi e será "a unidade, a capacidade de cerrar fileiras perante as adversidades, a clareza da sua linha política e a determinação em alcançar os objetivos traçados". Por isso, convidou as estruturas competentes do partido a uma maior mobilização dos militantes, simpatizantes e amigos do MPLA para a realização das tarefas preparatórias ao sexto congresso extraordinário.

"O MPLA soube sempre superar momentos difíceis e congregar os seus militantes, mobilizar o povo e manter a sua unidade e coesão para alcançar as vitórias mais retumbantes da história moderna de Angola", elogiou.

O congresso extraordinário de Setembro próximo foi convocado durante uma reunião do Bureau Político do MPLA organizada a 27 de Abril passado, em Luanda, e presidida por Dos Santos, na presença de João Lourenço e do secretário-geral do partido, Paulo Kassoma.

Na altura, o encontro aprovou o cronograma de preparação e realização do sexto congresso extraordinário bem como a candidatura de João Lourenço para conduzir os destinos do maior partido político em Angola, após 38 anos da liderança de Eduardo dos Santos.

Com esta nova candidatura, João Lourenço deixará a sua actual função partidária de vice-presidente para acumular as de presidente do partido e da República, pondo assim termo à polémica questão da "bicefalia" que muitos apontam como obstáculo à afirmação do novo poder executivo liderado por este último desde as eleições gerais de Agosto passado.

Eduardo dos Santos lidera o MPLA desde 1979, na sequência da morte de António Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola que também liderava cumulativamente o partido.

A sua última tentativa de prolongar a sua permanência na liderança do partido até 2019 gerou uma forte contestação interna, em Março passado, quando militantes influentes e figuras históricas do partido o aconselharam publicamente a sair o mais cedo possível.

Depois de prometer, em 2016, que deixaria a vida política em abril de 2018, o mais tardar, José Eduardo dos Santos tentou recuar no início deste ano, na abertura de uma reunião do Comité Central do partido, quando propôs o adiamento dessa discussão para Abril de 2019.

A proposta foi amplamente rejeitada pelos membros do Comité Central do partido, que decidiram agendar uma nova reunião para refletir sobre o assunto e definir uma data definitiva para a realização do congresso extraordinário para a escolha de um novo líder.

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