Escrito por Coutinho Macanandze  
Quinta, 28 Agosto 2014 18:10
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O Presidente da República Armando Guebuza fez uma governação que somente serviu para fomentar a discriminação, a exclusão social, da Renamo e de outros actores políticos da oposição nos processos decisórios, o que propiciou o incremento das desigualdades social, económica e política em Moçambique. Esta avaliação foi feita por Victor Igreja, pesquisador e docente universitário da Queensland University na Austrália, durante a IV Conferência Internacional do Instituto de Estudos Económicos e Sociais.

O pesquisador e docente universitário da Queensland University na Austrália, Victor Igreja, disse esta quinta-feira (28), em Maputo, no decurso da IV Conferência Internacional do Instituto de Estudos Económicos e Sociais (IESE), sob o lema “Estado, Recursos Naturais e Conflito: Actores e Dinâmicas”, que o Chefe do Estado desuniu os moçambicanos e aumentou os níveis de insatisfação por causa da exacerbada radicalidade da sua forma de governação.

O pesquisador, que dissertava sob o lema “Recursos de violência e de guerra para as negociações políticas e da legitimidade em Moçambique”, realçou que foi com Guebuza que o Estado incorporou os valores radicais de governação, que se baseava no imediatismo, ou seja, “decisão tomada e decisão cumprida”.

Igreja sublinhou que esta visão do estadista moçambicano contribuiu para a tomada de decisões erradas, porque para ele o poder baseava-se no maior domínio e controlo do Estado desde o nível central até ao local por via da partidarização da esfera pública.

Para o investigador, a recriação de células do partido na função pública criou um clima de divisão, porque foi instalada uma visão de ditadura, que impede qualquer individuo da oposição de ascender aos cargos de chefia, o que concorreu para que a indicação de dirigentes tomasse como critério a lealdade política e não pela competência técnica.

Segundo Igreja, a recriação de células é contra a perspectiva do Estado de universidade, porque não se respeitam as diferenças partidárias, ou seja, a unidade na diversidade, o Governo tudo fez para existir as forças políticas da oposição, o que demonstra que Guebuza não contribuiu para a consolidação da unidade nacional.

Outra visão ideológica errada do Guebuza, de acordo com Igreja, relaciona-se com a tentativa de controlo das Forças de Defesa e Segurança, através da introdução de reformas incoerentes e excludentes que prejudicaram principalmente a Renamo, o que contribuiu para a deterioração da paz.

Mais grave, na óptica de Igreja, é que a desmobilização dos homens da Renamo afecto as Forças de Defesa e Segurança não foi feito de forma estratégica, porque quem detinha o poder não reconhecia e ignorava a existência dos adversários políticos, o que aumentou a incerteza, insatisfação e a gritante intolerância política.

Guebuza perdeu o debate ideológico

Igreja é peremptório em afirmar que Guebuza termina o seu mandato com uma derrota no debate ideológico e das ideias, porque não foi capaz de criar de espaço de diálogo. Esta perda é testemunhada quando se mostra incapaz de resolver os conflitos políticos e sociais e começa a prender seus adversários políticos.

Para além do uso da lei como única forma resolver os conflitos políticos, uma clara demonstração da falta do espírito de liderança e de capacidade mediar a insatisfação social e política.

“O maior erro que o partido Frelimo cometeu nos últimos 30 anos foi ter escolhido um líder arrogante, egoísta, que negou dialogar com Renamo para manutenção da paz, o que atenta contra os princípios democráticos, porque nenhum Governo pode alcançar êxito sem a negociação constante com a oposição para o garante da unidade”, considerou Igreja.

A incapacidade do estadista criou suspeição e insatisfação das acções descontroladas do Governo, que não conseguiu criar leis e procedimentos que garantam a estabilidade social e política e resgatem a confiança da população.

Na óptica do Igreja, para o Presidente Guebuza a única forma eficaz de resolver problemas e mudar políticas mal traçadas passa pelo uso da força e violência.

Igreja acrescenta que Moçambique não esta livre da guerra porque a Frelimo não consegue usar os procedimentos políticos e democráticos para alcançar consensos e consolidar a paz que continua ameaçada, por causa da intransigência política do Guebuza e do partido no poder.

Comentários   

 
0 #1 Fernando Pereira 31-08-2014 06:49
Que bom que existam pessoas que tem bom senso de verdade. Melhor seria se ensinasse ao sr Mavi a ter esse tipo de analises
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