Escrito por Coutinho Macanandze  
Quarta, 01 Outubro 2014 20:43
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Cerca de mil moçambicanos, dos quais ambientalistas, fazedores de cultura, desportistas e cidadãos preocupados com a causa ambiental vão marchar, neste sábado (04), em Maputo, pela vida e protecção dos elefantes e rinocerontes. O evento, cujo objectivo é influenciar os decisores a reforçarem o combate à caça furtiva, um mal que ameaça despovoar as zonas de conservação, terá lugar, simultaneamente, em mais de 100 cidades de todo o mundo.

A marcha, que vai decorrer sob o lema "eu sou contra a caça furtiva do elefante e rinoceronte, e tu?", terá como ponto de partida a Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane, pelas 10 horas, e é organizada por cidadãos que defendem o meio ambiente, as zonas de conservação e todas as biodiversidades que catapultam a economia do país.

A caminhada inclui, entre outras actividades, a exposição de alguns elefantes e rinocerontes de papel e plástico. O ambientalista moçambicano Carlos Serra espera, através deste evento, persuadir o Governo a reforçar as medidas de protecção destas espécies ameaçadas de extinção nos próximos cinco anos caso as políticas de vigilância continuem disfuncionais.

“O rinoceronte e o elefante, bem como outras espécies bravias, estão a ser exterminados em África, com particular destaque para Moçambique, por causa de um negócio ilegal que movimenta enormes fortunas, com o objectivo de satisfazer o interesse em peças de decoração, bugigangas e de crenças medicinais completamente erradas. O comércio ilegal de animais selvagens movimenta cerca de 20 biliões de dólares norte-americanos por ano”, segundo um comunicado de Imprensa enviado pelos mentores da marcha.

Carlos Serra disse ao @Verdade que não pode existir um desenvolvimento sustentável enquanto a biodiversidade estiver ameaçada pelo recrudescimento da caça furtiva, resultante da procura maciça do marfim e dos chifres dos rinocerontes. Na região asiática acredita-se que a ponta de marfim combate o cancro.

De acordo com o nosso interlocutor, há necessidade de sensibilizar a população, os fazedores e implementadores das políticas de conservação da biodiversidade a envidarem esforços com vista a travar a caça ilegal, que pode empobrecer as comunidades e os países mais afectados, principalmente os do continente africano, e reduzir os ganhos decorrentes da actividade turística.

Na óptica do ambientalista, o aumento de casos de abate ilegal de elefantes e rinocerontes resulta do aumento considerável do preço de compra da ponta de marfim e dos chifres, que chega a movimentar, entre as redes criminosas, 20 biliões de dólares. Esta situação deve-se a fragilidades na fiscalização por parte do Executivo e a actos de corrupção que facilitam a acção dos caçadores furtivos.

Segundo Serra, é preciso reforçar a competência técnica e humana e o trabalho multissectorial. O Governo que for escolhido nestas eleições deve ter uma política contundente contra o abate de elefantes e rinocerontes, encarar o assunto como um problema soberano e criar formas de estancar a invasão do nosso território por parte de redes de criminosos.

Tortura de elefantes e rinocerontes

“Estima-se que em África sejam mortos quatro elefantes, por hora, e um rinoceronte em cada 9 horas! No caso de Moçambique, dados recentemente divulgados mostram que já não temos registos de rinoceronte, nas suas subespécies de branco e preto. Quanto ao elefante, a Reserva do Niassa viu a sua população decrescer de 20 374 em 2009 para menos de 13 000 em 2013; e no Parque Nacional das Quirimbas, de cerca de 2000 em 2009 para 517 em 2011”.

“O comércio do marfim e do chifre de rinocerontes é particularmente cruel, pois, para além do abate indiscriminado de animais adultos, crias e manadas inteiras, há provas de que os caçadores furtivos torturam elefantes e rinocerontes, cortando-lhes ou serrando-lhes as presas ou os chifres quando estes estão ainda vivos”, indicam os ambientalistas.

"Deve-se promover uma cultura de respeito pelas espécies faunísticas, pela flora e pelos respectivos habitats”, afirma Serra.

Em Maputo, a marcha vai coincidir com a celebração do Dia da Paz; por isso, a população deve ser consciencializada para a necessidade de adoptar um conceito lato de paz, não apenas reduzido à relação entre os seres humanos, mas integrando ainda a importante dimensão da paz ambiental”.

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