Escrito por Luís Rodrigues  
Segunda, 23 Fevereiro 2015 12:15
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A Direcção Provincial da Agricultura de Nampula está apreensiva em relação a alguns procedimentos usados por determinados parceiros externos no financiamento aos produtores locais e que não se adequam à actual situação social e económica do país. A preocupação foi manifestada pelos técnicos do sector que, na última sexta-feira (20), participaram do encontro de lançamento da segunda fase do programa FinAgro, uma iniciativa da Techno Serve, com financiamento da Agência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

O programa visa apoiar as pequenas e médias empresas de produtores, associações de camponeses, cooperativas de produção e comercialização agrícola nos corredores de Nacala, Beira e no Vale do Zambeze. De acordo com Lola Rohde, da Techno Serve, a primeira janela de financiamento do projecto, avaliado em 170 milhões de meticais, teve início em Março do ano passado, com a duração de um ano. A segunda e a última etapa arrancam brevemente, com o término previsto para Março de 2016.

Entretanto, os técnicos do sector da Agricultura consideram que a primeira fase não foi bem sucedida, alegadamente, devido a procedimentos insustentáveis impostos pelos financiadores. Para o director provincial da Agricultura de Nampula, Pedro Dzucule, para além dos mecanismos de financiamento não terem sido simplificados, a USAID impõe que os beneficiários façam comparticipações que, nalguns casos, não correspondem às suas reais capacidades.

O FinaAgro confirma ter enfrentado muitas dificuldades no primeiro ano de implementação do projecto, devido a factores que se prendem com a viabilidade das propostas de actividades submetidas pelos produtores. Outro constrangimento está relacionado com a falta de capacidade de comparticipação, calculada em 30 porcento do valor da aquisição dos activos fixos que cada uma das associações ou grupo de produtores pretende obter para incrementar os seus rendimentos.

Estas dificuldades fizeram com que das 144 candidaturas submetidas àquela instituição das Nações Unidas no ano passado fossem aprovadas apenas 29, devido ao volume de requisitos, alguns dos quais não se adequam à realidade moçambicana. O valor total desembolsado até ao momento ronda em 1.5 milhão de dólares norte-americanos, o equivalente a pouco mais de 45 milhões de meticais.

Os participantes no referido encontro recomendaram a necessidade de reformulação da estrutura do projecto, de forma a cobrir um maior número de beneficiários. Em Nampula, segundo fontes oficiais, cerca de 20 projectos direccionados ao sector da Agricultura, com financiamentos externos, tiveram impacto negativo social e em nada contribuíram para o aumento dos níveis de produção e produtividade dos camponeses.

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