Escrito por Luís Rodrigues  
Segunda, 25 Maio 2015 07:55
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O Presidente da República de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, tem 34 dias, contados a partir de sábado (23) para decidir sobre uma possível revisão do projecto das autarquias provinciais, chumbado recentemente pelo parlamento. O ultimato foi dado pelo Presidente da Renamo, o maior partido da oposição no país, em Nampula.

O projecto das autarquias provinciais, no qual a Renamo, a maior força política da oposição no país exige o poder governativo nas províncias centrais e nortenhas de Sofala, Manica, Tete, Zambézia, Nampula e Niassa foi chumbado, recorde-se, pela Assembleia da República.

O líder daquele partido, Afonso Dhlakama, que este sábado orientou mais um comício popular em Nampula, depois de cerca de três meses e no mesmo local, voltou a garantir que o projecto das autarquias provinciais não está esquecido tendo, por isso, incumbido ao Presidente da República a espinhosa missão de pensar sobre as consequências que podem advir da reprovação do referido projecto.

Afonso Dhlkama avisa que não quer voltar à guerra, na qual se orgulha ter demonstrado valentia e heroísmo aos 22 anos de idade (agora com 61 anos) mas alerta o Presidente da República e Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança que o derramamento de sangue está à espreita, caso haja qualquer tentativa de inviabilização do projecto a ser materializado nos próximos dias.

“Vamos governar, continuem a depositar confiança em mim, esqueçam aquilo que aconteceu em Maputo” frisou o líder da Renamo, perante uma moldura humana que o aguardava no Estádio 25 de Setembro, desde as primeiras horas da manhã.

O líder da maior formação política da oposição em Moçambique está convencido da sua vitória e do seu partido nas eleições gerais de 2014, sobretudo nas províncias acima referenciadas; por isso nunca vai desistir da sua ambição. Diz ter submetido o projecto ao Parlamento, à luz dos compromissos assumidos entre si e o actual Chefe de Estado e em obediência aos conselhos diplomáticos.

"Se eu, como democrata, não fizesse aquilo, o mundo poder-me-ia condenar. Agora já chegou o tempo e vocês deixem de se chatear comigo, mas tudo vai depender de Nyusi", disse, Afonso Dhlakama, repetidas vezes.

Pressões populares

Numa mensagem apresentada pela Liga da Juventude da Renamo, esta pediu ao seu líder para acelerar os contactos com o Governo, mas disse estar preparada para o pior.

Entretanto, Afonso Dhlakama alega não estar interessado, por razões de idade. “Estes jovens querem a guerra, mas eu não posso ordenar porque já sou velho. Com 61 anos de idade, já não posso voltar às matas”, disse o líder da Renamo.

“A Frelimo nunca aprovou nenhum projecto da Renamo, sem o recurso à violência”, frisou a fonte, citando como referência o projecto de revisão do pacote eleitoral que, de acordo com as suas afirmações, conduziu a Renamo ao derramamento de sangue e à destruição de grande parte de empreendimentos da economia nacional.

O líder da Renamo, que se faz acompanhar do secretário-geral do Partido, Manuel Bissopo e outros quadros seniores daquela formação política, já esteve em vários distritos daquela província e agendou um encontro com a classe académica esta terça-feira.

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