Escrito por Intasse Sitoe  
Sexta, 14 Agosto 2015 11:06
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Os residentes do distrito de Namaacha, na província de Maputo, vivem momentos de desespero devido à falta de água bebível. Há dois meses que nas suas torneiras não pinga nem uma gota alegadamente por causa da seca, com efeitos nefastos nos cais de abastecimento. A situação deixa cerca de 52 mil habitantes agastados e percorrem longas distâncias para obterem pelo menos um bidão de água.

Clama-se pela intervenção das autoridades. A par do que acontece em vários distritos de Moçambique, em Namaacha a falta do precioso líquido faz com que logo pelas primeiras horas as famílias travem uma batalha, em filas enormes, para obter 20 litros de poços tradicionais cujos proprietários cobram cinco meticais por cada galão.

Alice Mate, viúva de 54 anos de idade, agricultora e mãe de cinco filhos, disse que, para além da escassez de água para o consumo e outras actividades domésticas, não saber o que fazer para sustentar os seus descendentes, porque a sua machamba, única fonte de rendimento, já não rende nada devido ao mesmo problema. A produção de hortícolas reduziu drasticamente porque não há água para a rega pois os cursos de água doce e as diques secaram. Por vezes, a sua família chega a ficar uma semana sem fazer a higiene pessoal devidamente e três dias sem beber água.

Segundo a nossa interlocutora, no Inverno o mal é menor porque poucas vezes se bebe água. Neste Verão ninguém sabe qual será a sorte das famílias porque o problema se agarrava a cada ano que passa e não se vislumbra nenhuma solução com vista a evitar o sofrimento da população. Aliás, Alice contou que os alimentos têm sido confeccionado com água insalubre.

Uma outra cidadã que responde pelo nome de Celina Muzimane, de 49 anos de idade, desempregada, queixou-se dos mesmos problemas. Para viver naquele distrito é bom porque não há muita agitação, mas a falta de água é o maior drama que os munícipes enfrentam.

A nossa entrevistada disse que há famílias que utilizam água mineral para cozinhar. “Lembro-me de que já dependi de 20 litros de água para cozinhar, beber, lavar e tomar banho. É complicado viver sem água. Até água não apropriada usamos para lavar a roupa, tomar banho e cozinhar”.

Por sua vez, Domingos Jonqueiro, administrador daquele distrito, reconheceu que a situação e disse Namaacha é assolado pela estiagem. Para minimizar o sofrimento da população foram abertos três furos de água, que não resolvem o problema, e o Governo prevê construir mais dois. Todavia, enquanto tal promessa não se materializa, há camiões-cisternas que distribuem o preciso líquido pelos bairros.

A edilidade pretende construir uma represa sobre o rio Muzimunhama no sentido de também aliviar o calvário das comunidades mais afectadas, nomeadamente as de Kassimati, Munúcua e Chizeiatine.

Refira-se que o distrito de Namaacha conta com dois postos administrativos e oito localidades. Para além da agricultura, a outra actividade que predomina é o comércio informal.

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