Escrito por Emildo Sambo  
Quinta, 21 Setembro 2017 05:37
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A arguida e ex-assistente particular de Setina Titosse foi desmentida pelos próprios irmãos, em sede do tribunal, relativamente ao seu presumível não envolvimento no desvio de 170 milhões de meticais dos cofres do Fundo de Desenvolvimento Agrário (FDA), onde a sua antiga patroa – também constituída ré – era Presidente do Conselho de Administração (PCA). Os irmãos Dércio, Gerson e Binaia Manganhe, compareceram ao tribunal, na quarta-feira (20), na qualidade de declarantes, e proferiram depoimentos que sugerem que Milda Cossa pode ter faltado à verdade, de forma deliberada, ao negar que movimentou avultadas somas de dinheiro daquela instituição do Estado para o seu próprio benefício, da sua chefe e de outras pessoas alheias à entidade lesada.

Contextualizando, na última quinta-feira (14), Milda Cossa, de 38 anos de idade, afirmou que nunca recebeu qualquer que fosse o valor para benefício próprio.

“A cada final do mês eu tinha o meu salário de 15 mil meticais”, disse e defendeu que nunca submeteu projecto algum para financiamento e não tinha interesse de criar gado ou desenvolver algum programa agrícola e afim.

Ela deixou registado no tribunal que os seus irmãos, Dércio Manganhe, Gerson Manganhe e Binaia Manganhe, de 34, 33 e 32 anos de idade, respectivamente, foram arrastados para a fraude quando, em conversa com a sua patroa, manifestou o desejo de vê-los a superar as dificuldades por que passavam para sobreviver.

Face a esta situação e aparentemente sensibilizada, Setina Titosse disse à sua subalterna que podia ajudá-los, concedendo-lhes crédito para um projecto de criação de gado. Para o efeito, eles devia se dirigir à sua residência munidos fotocópias de bilhetes de identidade e NUIT.

A este respeito, Dércio Manganhe, Gerson Manganhe e Binaia Manganhe esclareceram que, efectivamente já estiveram em casa de Setina, mantiveram conversas com ela e deixaram os documentos acimas mencionados.

Entretanto, eles nunca receberem financiamento algum do FDA, muito menos submeteram projectos e tão-pouco assinaram contratos para tal efeito.

Eles já possuíam contas bancárias num determinado banco, mas Milda Cossa e Setina Titosse alegaram que era imperioso que as mesmas fossem exclusivamente do BCI.

Após procederem à abertura das referidas contas na instituição indicada, os jovens receberam orientações para entregar os comprativos à Setina Titosse.

Volvidos alguns dias, foram canalizadas avultadas quantias nas contas recém-abertas. Os irmãos Manganhe alegaram que desconhecem absolutamente a proveniência dos montantes em causa.

Gerson precisou que, numa primeira ocasião, foram canalizados 5.000.000 de meticais na sua conta e quem lhe comunicou sobre o facto foi Milda Cossa. Esta disse que “o valor não era meu e não devia ser mexido”.

Porém, para assegurar que o fundo continuasse intacto, até novas instruções, Milda exigiu que o irmão lhe entregasse o seu cartão do banco e revelasse o respectivo pin.

Volvidos Milda orientou ao seu irmão para se dirigir ao BCI no sentido de transferir o dinheiro para algumas contas por ela indicadas, sendo que uma delas era sua.

Binaia abriu a sua conta a 05 de Março de 2014, mas um dia antes tinha sido constituída a de Gerson, enquanto a de Dércio foi aberta a 06 do mesmo mês.

Nas suas declarações ao tribunal, os três irmãos afirmaram, unanimemente, em momentos separados, que, desde a altura em que passaram a ser canalizados fundos para as referidas contas eles, perderam a posse dos seus cartões a favor de Milda Cossa e Setina Titosse. Nunca mais lhes foram devolvidos.

Aliás, consta da acusação que a antiga timoneira do FDA e a sua coadjutora beneficiaram-se, ilegalmente, de pouco mais de 31 milhões de meticais e 56 milhões de meticais, respectivamente.

Binaia declarou ainda que não se lembrava da quantia exacta que foi canalizada para a sua conta e depois movimentada para terceiros.

Contudo, quando o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) tomou conhecimento do rombo financeiro e procedeu à investigação, exigiu que a jovem solicitasse um extracto bancário ao BCI, tendo se constatado que pela sua conta passaram mais de seis milhões de meticais.

Por sua vez, Gerson disse que através foram movimentados aproximadamente 23 milhões de meticais. Consta igualmente da acusação que Dércio, Gerson e Binaia possuíam parcelas e terra para criação de gado nos distritos de Chibuto, Manjacaze e Morrumbene, nas províncias Gaza e Inhambane, bem como constituíram representantes para se fazerem a esses locais na companhia de técnicos do FDA para uma vistoria.

Os visados disseram que tais informações são falsas e não conhecem aqueles pontos do país e nunca lá estiveram.

Importa referir que a arguida Milda é esposa de Humberto Cossa. Este, que também está no banco dos réus, é primo de Setina Titosse. Ele solicitou 12.800.000 milhões de meticais para um programa que não passou da ideia e o valor não foi devolvido aos cofres àquela instituição do Estado.

A consorte do primo de Setina reconheceu, no dia da sua audiência, que movimentou, através das contas bancárias e dos seus irmãos, mais de 56 milhões de meticais de que é acusada de se ter beneficiado ilicitamente, mas fê-lo a mando da sua patroa, na altura Setina Titosse. Esta não só ficava com os montantes, como também dava instruções sobre as pessoas para as quais as transacções deviam ser direccionadas.

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