Escrito por Adérito Caldeira  
Quarta, 13 Dezembro 2017 08:46
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O Presidente Filipe Jacinto Nyusi, sem apresentar nenhum motivo, como é prática, exonerou quatro membros do seu Governo, inédito em Moçambique. Se a demissão de José Pacheco era aguardada pelo trabalho que não tem feito na Agricultura, surpreendem as saídas Letícia Klemens, escolha pessoal do Chefe de Estado, e de Max Tonela. A queda de Oldemiro Balói poderá ser apenas uma resposta ao desejo de descanso do discreto ministro.

Um comunicado lacónico da Presidência torna público que o Chefe de Estado “(...) exonerou através de despachos presidências separados os seguintes membros do Governo: Oldemiro Júlio Balói do cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação; José Condugua António Pacheco do cargo de ministro da Agricultura e Segurança Alimentar; Ernesto Max Elias Tonela do cargo de ministro da Indústria e Comércio; e Letícia Deusina da Silva Klemens do cargo de ministra dos Recursos Minerais e Energia.”

Sobrevivente do Executivo de Armando Guebuza, Balói estava no pelouro desde 2008 mas várias fontes referem que o discreto governante em várias ocasiões terá manifestado o seu desejo de reforma, consta que vinha enfrentando oposição interna por não ser diplomata de carreira. Em menos de um mês o Pelouro ficou órfão, a vice Nyeleti Mondlane foi encaminhada para liderar a Juventude e Desportos.

A recondução de Pacheco para a chefia de um Ministério, que assumiu em 2010, que deveria ser dos mais importantes em Moçambique mas que acabou esvaziado pelo ministro da Terra e Desenvolvimento Rural pareceu mais o acantonamento de uma figura que tinha um grande capital político até ao último Congresso do partido Frelimo.

Apontado como sendo um dos membros do Executivo mais próximos de Nyusi, Max Tonela entrou com a missão quase impossível de revitalizar a indústria transformadora nacional. Apesar da pouco abonatória gestão do dossier do pão e da trapalhada em torno da exportação do feijão bóer o jovem governante tem mostrado trabalho particularmente através da pujança imprimida na Inspecção das Actividades Económicas. Pelo seu passado no sector da Energia foi apontado para o Pelouro quando Pedro Couto foi afastado em 2016.

No cargo há pouco mais de um ano Letícia Klemens foi das mais controversas escolhas de Filipe Nyusi, sem experiência governativa, reconhecida pelo Chefe de Estado que na sua posse afirmou que nenhum moçambicano é “suficientemente competente” para o cargo, ficou com o rótulo de ter sido uma opção “boazinha” para as multinacionais que estão ávidas por explorar os hidrocarbonetos existentes no nosso país.

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