Escrito por Adérito Caldeira  
Quinta, 14 Dezembro 2017 07:51
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Foto de Adérito CaldeiraO Presidente de Moçambique voltou a surpreender, depois da inédita demissão de quatro ministros de uma única vez, ao manter José Pacheco no seu Governo, agora nos Negócios Estrangeiros e Cooperação. Filipe Jacinto Nyusi passou Max Tonela para o estratégico Ministério dos Recursos Minerais e Energia e ainda tirou da cartola um académico desconhecido, Higino Marrule, para a Agricultura e Segurança Alimentar.

A nomeação de Ernesto Max Elias Tonela, que até terça-feira(12) era ministro da Indústria e Comércio, para ao importante Ministério dos Recursos Minerais e Energia em substituição de Letícia Klemens que esteve no cargo somente 14 meses, foi uma das mais antecipadas mexidas governamentais.

Economista, antigo director financeiro da Electricidade de Moçambique e ex-membro do Conselho de Administração da Hidroeléctrica de Cahora-Bassa, Tonela é uma escolha alinhada com a prioridade governamental de aumentar a disponibilidade de Energia como uma das apostas para o crescimento da economia.

O jovem ministro, que sem brilhar na Indústria e Comércio fez um trabalho digno de respeito, vai ser responsável por ramos de actividades que combinados espera-se que contribuam com 20,8% para o Produto Interno Bruto em 2018.

Embora tenha de lidar também com a Indústria Extrativa e Gás, Max Tonela terá no antigo colega, Omar Mithá, uma boa muleta para o árduo trabalho que lhe espera.

Pacheco, o bem amado

Depois de algum júbilo por parte de vários sectores da sociedade pela sua exoneração do cargo de ministro da Agricultura e Segurança Alimentar o país foi surpreendido com o despacho presidencial que nomeia José Condugua António Pacheco para titular dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, em substituição de Oldemiro Balói.

É um caso único de longevidade governamental apesar dos vários escândalos e aparente incompetência nos vários cargos que ocupou.

Pacheco, natural da localidade de Ampara, na província de Sofala, entrou para o Executivo em 1995 como vice-Ministro da Agricultura no então mandato de Joaquim Chissano, foi destacado para Governador da província de Cabo Delgado, em 2000.

Regressou à metrópole para dirigir o Ministério do Interior, em 2005, no primeiro mandato de Armando Guebuza. Sob a sua batuta o poderoso seu antecessor, Almerino Manhenje acabou na cadeia, chamou vândalos os primeiros manifestantes do pós independência e ignorou todos alertas contratando a Semlex para fazer os nossos documentos de identificação.

Passou a comandar a Agricultura nas horas vagas, em 2010, enquanto chefiava a delegação governamental que iniciou diálogo com o partido Renamo. Enquanto a dependência de Moçambique a comida importada se agudizava José Pacheco antagonizava com os camponeses, a quem tenta ainda impor o famigerado ProSavana. Pelo meio foi apontado como conivente com a delapidação das florestas nacionais à favor dos madeireiros chineses.

Com a sua saída da poderosa Comissão Política do partido Frelimo muitos propalaram a sua iminente saída do Governo, saiu por uma porta e entrou por outra!

Higino Marrule “terá o apoio inicial da sociedade civil”

Para tentar colocar a Agricultura a alimentar os moçambicanos e quiça gerar divisas da exportação o Chefe de Estado moçambicano nomeou Higino Francisco Marrule, um agrónomo que nunca exerceu nenhum cargo governativo mas com experiência na execução de projectos empresariais no sector e na promoção do agro-negócio. Será uma boa escolha para lidar com os Parceiros de Cooperação que há vários anos têm abandonado sector justamente pela presença de José Pacheco.

Para João Mosca, director do Observatório de Meio Rural, Marrule “parece ser aberto a diferentes opiniões e dialogante”.

Contudo, alerta o académico, o novo ministro “terá que ter atenção com programas relacionados com os pequenos produtores, o associativismo e a produção alimentar, incentivando as relações entre os diferentes tipos de actores de produção e de serviços. Terá de lutar por uma maior orçamentação da agricultura e maior eficácia do aparelho de Estado, reforçando os órgãos locais; A investigação, extensão, os serviços de sanidade e de fiscalização deveria ser reforçados.”

“A agricultura exige muitas relações inter-sectoriais o que exige capacidade negocial. Não poderá esquecer que a a agricultura necessita de politicas públicas e económicas favoráveis ao desenvolvimento da actividade agrária”, acrescentou João Mosca que garante para já que Higino Marrule “terá o apoio inicial da sociedade civil que deverá ser por ele assegurada a médio e longo prazo”.

Entretanto, até ao fecho desta edição, permanecia vago o cargo de ministro da Indústria e Comércio.

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