Escrito por Emildo Sambo  
Segunda, 07 Maio 2018 07:58
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Os jornalistas moçambicanos continuam a operar num ambiente hostil, o qual se equipara a “caminhar em campo minado à noite” e faz com que a “liberdade de imprensa” esteja “no vermelho”, diz o MISA-Moçambique, alertando que a situação pode se deteriorar durante o período eleitoral que inicia este ano, com a realização das quintas eleições autárquicas a 10 de Outubro, e se prolonga até 2019, em que a 15 de Outubro terão lugar as eleições gerais (presidenciais e legislativas) e das assembleias provinciais.

O constante controlo político e as ameaças às liberdades de imprensa e de expressão, marcados por um forte investimento nas forças de defesa e segurança para manietar não apenas as forças políticas, como também quaisquer tentativas de manifestação dos cidadãos que questionam a qualidade da governação, são as principais características da democracia em Moçambique, sem a qual os media não dispõem do acesso livre à informação de que os cidadãos necessitam.

A posição daquela agremiação da sociedade civil consta do “Relatório sobre o Estado da Liberdade de Imprensa e de Expressão em Moçambique (2016 – 2017)”, publicado semana finda, no âmbito da celebração do “Dia Internacional da Liberdade de Imprensa”, assinalado a cada 03 de Maio.

“Nestes últimos anos, tem se verificado abusos que se manifestam nas mais variadas formas de ofensas à dignidade humana perpetradas contra membros de partidos da oposição, jornalistas, académicos, membros de organizações da sociedade civil”, refere o documento, que deplora ainda o “não respeito pelas liberdades políticas” e a “baixa abertura à cultura do diálogo e à convivência pacífica de ideias”.

Segundo o MISA, em 2017, o ambiente foi ligeiramente melhor para os críticos e políticos da oposição, mas já não se pode dizer o mesmo em relação à imprensa. “Contrariamente ao ano anterior, 2016, com 11 casos reportados, em 2017, foram notificados 21 casos de atentado à liberdade de imprensa”.

O grosso deles ocorreu na cidade de Maputo, pelo facto de ser onde se concentram “o poder político, militar e judiciário”.

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