Escrito por Emildo Sambo  
Segunda, 13 Agosto 2018 23:12
Share/Save/Bookmark

Samora Machel Júnior rebentou as coleiras e deu um exemplo de desmame da Frelimo, partido no poder e no qual nasceu e se tornou homem, o que é susceptível de marcar a cisão entre si e o mesmo. Coragem ou indisciplina partidária? O certo é que ele vai candidatar-se à presidência do município de Maputo, nas eleições autárquicas de 10 de Outubro deste ano, pela Associação Juvenil para o Desenvolvimento de Moçambique (AJUDEM). O expediente para o efeito foi submetido na segunda-feira (13) à Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Samora Machel Júnior é o cabeça-de-lista daquela agremiação, decisão que tomou depois de ter sido literalmente preterido nas eleições internas da Frelimo, num processo que tinha todos os condimentos para alguém acreditar que ele estivesse a ser combatido pelo próprios correligionários.

O facto criou agitação no seio dos camaradas e o novo rumo tomado pelo filho do falecido estadista moçambicano, Samora Machel, pode ser a confirmação das informações que davam conta de que ele nunca escondeu o desejo de correr como independente.

Assim, Samito – cognome pelo qual é carinhosamente tratado, mormente no seio da família Machel – vai lutar pela presidência da capital e cidade mais importante de Moçambique do lado contrário do seu camarada Eneas Comiche, Venâncio Mondlane, da Renamo, Carlos Tembe, da Solidariedade Cívica de Moçambique (SCM), bem como do cabeça-de-lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

O mandatário da AJUDEM, Albino Forquilha, por sinal o segundo candidato na lista submetida à CNE, disse que não estava em altura de prognosticar se Samito terá ou não problemas com a Frelimo.

Segundo a fonte, o visado “ junta-se a um grupo da sociedade civil" e não a um partido político, o que supostamente pode não ter peso nem causar desagrado à Frelimo.

Ao concorrer a edil da capital do país por aquela agremiação, o filho do falecido estadista moçambicano, Samora Machel, infringe alguns deveres de conduta estabelecidos pelo partido no qual é membro do Comité Central.

Por exemplo, rezam os estatutos da Frelimo que os seus membros têm a obrigação de “não pertencer a um outro partido político, organização associada ou dele dependente”.

Ainda de acordo com os ditames da formação política no poder, não é permitido ao militante “ser candidato para qualquer função, por outros partidos ou organizações associadas ou deles dependentes, sem a devida autorização dos órgãos competentes da Frelimo”.

A violação destes e outros deveres pode levar à aplicação de sanções, as quais pela ordem da sua gravidade podem ir da advertência, passar pela suspensão da qualidade de membro do partido, por período não superior a um ano, até à expulsão.

A AJUDEM é um dos sete grupos de cidadãos eleitores inscritos na CNE e é proveniente da autarquia de Namaacha, na província de Maputo.

Comentar


Código de segurança
Atualizar

 
Avaliação: / 3
FracoBom