Escrito por Adérito Caldeira  
Quinta, 25 Abril 2019 05:54
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Foto de Adérito CaldeiraEnquanto o Sindicato Nacional de Jornalistas está empenhado em “limpar a escória”, a Liberdade de Imprensa continuar a piorar em Moçambique devido as tentativas do Governo “evitar a cobertura da insurreição islâmica” em Cabo Delgado e a perspectiva de revisão das taxas de licenciamento dos medias. Desde que Filipe Nyusi é Presidente o nosso país já regrediu 18 posições no ranking da organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

Em 2015, quando Nyusi tornou-se Chefe de Estado, Moçambique ocupava a posição 85, no ranking de 180 países todos anos avaliados pela RSF. Em 2016 regrediu para a posição 87, em 2017 caiu para o lugar 93, em 2018 quedou-se em 99º e este ano baixou para a posição 103.

“(...) As autoridades moçambicanas estão fazendo de tudo para evitar a cobertura da insurreição islâmica que afeta o norte do país. Um jornalista investigativo foi preso por vários dias em Dezembro de 2018. Um mês depois, um repórter que estava conduzindo entrevistas com vítimas para um canal local também foi preso, detido pelos militares e acusado de violação de segredos de Estado”, indica o relatório divulgado na passada quinta-feira (18).

Segundo a Repórteres Sem Fronteiras: “A cobertura das atualidades do país também poderia deteriorar-se significativamente se o decreto adotado sobre o aumento drástico das taxas de credenciamento, especialmente para jornalistas e meios de comunicação estrangeiros, fosse aplicado. Ele prevê um custo de milhares de dólares para obter licenças de filmagem e poderia tornar Moçambique o país mais caro da África para realizar reportagens”.

“As agressões contra jornalistas, que foram comuns durante a cobertura das eleições municipais de 2018, a falta de recursos da mídia e a autocensura completam um quadro que está ficando ainda mais sombrio neste ano em termos de liberdade de imprensa”, conclui a organização internacional no relatório de 2019.

A Noruega continua a ser líder da Liberdade de Imprensa agora seguida pela Finlândia, que subiu duas posições, deixando a Suécia em terceiro.

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