Jornalista crítico do Kremlin reaparece após anúncio da sua morte
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Escrito por Agências  
Quinta, 31 Maio 2018 08:08
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Um jornalista russo dissidente que, segundo relato de autoridades, havia sido assassinado em Kiev ressurgiu nesta quarta-feira no meio de uma transmissão ao vivo sobre a sua morte, supostamente cometida pelo serviço de segurança estatal ucraniano.

Na terça-feira autoridades da Ucrânia disseram que Arkady Babchenko, um crítico de 41 anos do presidente Vladimir Putin e da política da Rússia para a Ucrânia e a Síria, foi morto a tiros no seu apartamento e que sua esposa o encontrou em uma poça de sangue.

O seu suposto assassinato desencadeou uma guerra de palavras entre Kiev e Moscovo, uma onda de críticas das capitais europeias e de Washington e temores nas comunidades jornalísticas ucraniana e russa.

Mas nesta quarta-feira um Babchenko comovido apareceu diante dos repórteres dizendo que participou de uma operação especial da Ucrânia para impedir uma acção russa contra a sua vida e que está bem.

“Gostaria de pedir desculpa pelo que todos vocês tiveram que passar”, disse Babchenko, que pareceu à beira das lágrimas em alguns momentos, aos repórteres. “Desculpem, mas não havia outra maneira de fazê-lo. Separadamente, gostaria de pedir desculpa à minha esposa pelo inferno que ela enfrentou”.

O ressurgimento de Babchenko provocou consternação, e depois comemorações e aplausos de jornalistas presentes ao boletim à imprensa. Depois ele agradeceu o Serviço de Segurança Ucraniano (SBU) por salvar a sua vida e disse que a coisa mais importante foi que outros grandes actos de terror foram frustrados.

Ele não especificou quais foram estes actos planeados, mas o SBU disse ter recebido informações sobre uma trama para matar 30 pessoas na Ucrânia, incluindo Babchenko, e ter conseguido impedi-la. O serviço de segurança não quis informar quem são as 29 outras pessoas.

O SBU disse ter detido um cidadão ucraniano recrutado pela Rússia para encontrar alguém que matasse Babchenko. Ele recebeu 40 mil dólares para organizar o assassinato, 30 mil dólares para pagar o assassino e 10 mil dólares para ser um intermediário, segundo o serviço de segurança.

“Conseguimos não somente acabar com essa provocação cínica, mas também documentar a preparação deste crime vergonhoso dos serviços especiais russos”, afirmou o chefe do SBU, Vasyl Hrytsak.

O procurador-geral Yuriy Lutsenko, que apareceu ao lado de Babchenko, disse ter sido necessário forjar a morte do jornalista para que os organizadores do complô acreditassem ter tido sucesso.

O Ministério das Relações Exteriores disse nesta quarta-feira que ficou feliz por Babchenko estar vivo no final das contas, mas que Kiev usou a sua história como propaganda.

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