Maxixe entre o desenvolvimento e a guerra das casas
Destaques - Nacional
Escrito por Alexandre Chaúque  
Quinta, 03 Julho 2014 16:43
Share/Save/Bookmark

Esta cidade continua a ser um entreposto do diabo. Há uma luta diária e titânica pela sobrevivência, que atinge níveis de alta intensidade num lugar permeável ao crime que floresce por Maxixe ser um corredor de economia vital. Há construções que se erguem por todo o lado a um ritmo alucinante, muitas delas sem obedecerem a normas estabelecidas pelas autoridades, como é o caso de um prédio de dois andares que vai ser demolido já numa fase bastante adiantada. Subjazem ainda litígios com acusações de um munícipe que indica o tribunal como sendo um covil de criminosos, que actuam de forma obscura para sentenciar com parcialidade. Mas não é tudo. Maxixe é uma cidade de desordem pública, onde as ruas são, absolutamente, ou quase completamente, ocupadas por vendedores ambulantes que não respeitam a nada.

O actual presidente do Conselho Municipal da Maxixe, Simão Rafael, logo após a tomada de posse, fez aquilo que hoje por hoje se pode considerar ousadia. Mandou retirar os vendedores das ruas mais visíveis da urbe, incluindo os que ocupavam a Estrada Nacional número um (EN1). Proibiu a utilização da entrada da cidade como praça de autocarros, o que criava um ambiente por demais nefasto, e o resultado dessa medida é que se insuflou a urbe de ar fresco.

Porém, este passo que merece ovação é apenas uma fachada porque a realidade nos diz que Maxixe continua a ser uma cidade selvagem. A nossa Reportagem esteve recentemente naquele centro urbano e o que constatou é que estamos muito longe de atingir o bem-estar para os munícipes. Numa das ruas mais movimentadas, pelas zonas do mercado informal, vulgo “dumba nengue”, reside o caos em si.

É a chamada zona do peixe, onde os vendedores invadiram a rua quase na sua totalidade. Ou seja, da forma como as coisas se encontram, os automobilistas têm muitas dificuldades para se movimentarem. As bancas de venda estão expostas nas duas margens por sobre o pavet, deixando apenas um fiapo por onde não se podem cruzar dois carros.

Este tipo de caos é, também, visível em Maputo e noutras grandes cidades. Pior do que isso, o marisco é exposto às poeiras, às moscas e ao sol também, criando condições para a desqualificação do produto. Os vendedores dizem estar perante uma situação que os deixa sem alternativas quanto ao local onde ir fazer a vida. E, por não encontrarem esse lugar, a solução que eles encontraram foi invadir a rua inteira.

“Se o município nos indicar um sítio adequado para exercermos a nossa actividade podemos sair hoje mesmo”. São mulheres que na sua maioria fazem este negócio deplorável pelo facto de a sua mercadoria estar ao relento e a mostrar claramente que não está em perfeitas condições de conservação. Diante deste cenário repugnante, podemos afirmar que o esforço do município de pavimentar as ruas da cidade é inglório. No lugar de as vias servirem para escoar o trânsito, elas são usadas como centro comercial.

É uma extensão de quase um quilómetro em que as pessoas e os carros estão juntos na via, cada um fazendo a sua parte. E tudo isso não deixa de entristecer os sensatos. Uma das obras que irão eternizar Narciso Pedro, último edil que ficou no “trono” quinze anos, é o ordenamento urbano. Não há dúvidas de que ele revolucionou a cidade. Tornou-a maleável e fresca. O que é necessário, agora, é que cada coisa seja colocada no seu devido lugar. Com o devido respeito pela postura camarária.

Guerra das casas

Ainda nesta zona a que nos referimos, chama-nos a atenção a edificação de um prédio de dois andares que, mesmo a olho nu, nos deixa descobrir defeitos. E, segundo informações obtidas junto do Conselho Municipal da Maxixe, não existe outra alternativa senão demolir a casa devido ao perigo que ela representa para qualquer pessoa.

A destruição “é resultante da má execução do projecto de construção, incumprimento integral das normas construtivas, desestabilidade total da estrutura dos pilares, vigas e lajes no edifício, surgimento de rachas profundas e progressivas nas paredes, desalinhamento dos pilares e falta de aprumo, desnivelamento na elevação das alvenarias em geral, fraca qualidade do betão, para além de ser executada pelos brigadistas, ou seja, pela equipa de trabalho para empreendimentos domésticos”.

A equipa do Departamento de Edificações que efectuou uma visita ao empreendimento em causa constatou todas estas irregularidades, tendo recomendado à edilidade para que determinasse que a obra foi abandonada; por isso, os trabalhos devem ser paralisados e tem de se proceder à demolição de uma estrutura que está a perigar vidas humanas, prevenindo-se outros danos que poderão, eventualmente, ocorrer. Porém, ao passar pelo local, a nossa Reportagem constatou que no lugar de se fazer como se recomenda, as obras continuam.

Prédio em disputa Ainda na Maxixe, um litígio opõe os cidadãos Abdul Magid e Jasmita Bimbai, sendo que esta última acusa o primeiro de usurpar o seu espaço. Segundo a queixosa, Magide tem documentos falsos que lhe dão a possibilidade de reivindicar uma parcela contida na sua propriedade. “Temos um caso do senhor Abdul Magid que por várias e falsas formas, falsificou documentos e veio dizer que o quintal do prédio é comum e o município da cidade da Maxixe lhe concedeu plenos poderes para construir um armazém”.

Jasmita diz que meteu uma queixa no tribunal da cidade da Maxixe em 2013, porém, o que ela depreendeu é que dentro do tribunal “existem indivíduos que estão lá para defender os criminosos, e a nossa advogada sabe disso”. De acordo com Jasmita, o senhor Absul Magid “vendeu a casa da minha falecida mãe e tenho todos os documentos que provam isso, e mesmo assim o tribunal concedeu-lhe poderes para construir dentro da nossa privacidade, entrou com agressão moral e física. Derrubou a nossa vedação e até hoje o tribunal não diz nada”.

Magide usou uma parte do quintal da queixosa para construir a sua loja, que já está pronta e em aluguer. “Ele está a receber uma renda de um sítio que não lhe pertence. Há um ano que vivemos sem segurança, vivemos com medo, sofremos ameaças, provocações, roubos, porque a vedação foi quebrada e o senhor Abdul Magide, a esposa e amigos, fazem provocações contra nós. Agora quero saber: onde foi a Justiça? Moçambique está em desenvolvimento? Dentro do Tribunal cometem-se crimes”. Entretanto, Magid refuta todas as acusações feitas por Jasmita.

“Não é verdade que eu esteja a fazer ameaças. Também não corresponde à verdade que eu lhe tenha agredido, ou esteja a ocupar o espaço dela. De facto vendi a esta família a parte de cima deste prédio que pertence ao meu falecido pai. Mas o prédio tem um quintal, que é um espaço comum para os condóminos. Tendo eu ficado com a parte do rés-do-chão, significa que nós os dois temos direito ao quintal. O que eu fiz foi usar uma parte desse quintal para construir esta pequena barraca para o meu negócio e a casa de banho. Não vejo onde está o mal nisso, tanto mais que lhe deixei uma parcela considerável. Ela acusa-me de usar documentos falsos, mas isso não é verdade. Tenho todos os documentos e a sentença do tribunal que me autoriza a fazer a construção. Não vejo onde está o problema”.

Refira-se que as obras, depois de um tempo embargadas supostamente por estarem a decorrer em terreno alheio, prosseguem em virtude de uma sentença do tribunal que considera Magid como co-proprietário do espaço comum em disputa. Aliás, na mesma estância de justiça decorre uma acção intentada por Jasmita – não conformada – com vista à restituição de posse do terreno.

Comentários   

 
+1 #11 Ismael Abdul 09-08-2014 12:04
A A sentenca DO TRIBUNAL QUE VOCE TEM NAO E VERDADE PORQUE ESSE ESPACO AINDA CONTINUA EM DESPUTA.NEM VOCE TEM AINDA O FINAL DO PROCESSO.FOI POR ESSE MOTIVO QQUE O JUIZ INPEDIU A INVESTIGACAO DO SEU DOCUMENTO PORQUE ELES TANBEM COMETERAM ERRO. NESTE CASO VOCE QUANTO AO TRIBUNAL TERA QUE RESPONDER PELO MESMO. O TRIBUNAL DA MAXIXE FALHOU DE NOTAR QUE VOCE USOU DOCUMENTOS FALCOS.E MAIS UMA VEZ UMA FAMILIA ESTA SOFRER POR FALHA DAS AUTORIDADES. UM LADO O EX PRESIDENTE NARCISO PEDRO/XICONHOCO FOI SUBORDENADO E FEZ FALCIFICACAO DE DOCUMENTO E OUTRA TRIBUNAL QUE NAO CONSEGUIU VER ESSA FALHA OU PRETENDEU.
Citar
 
 
0 #12 helder docente maxix 10-08-2014 14:50
Essa familia foi afectada pelo crime que o ex presidente xiconhoco cometeu. E a negligencia dos SUPERIORES DO TRIBUNAL DA MAXIXE. ENTREGUEM O ESPACO DE VOLTA. VERGONHA DESSE TRIBUNAL
Citar
 
 
+2 #13 Gafuro Languane 11-08-2014 22:44
Ultimamente tribunal da cidade anda muito famosa em casos sujos. Este e um dos tantos que andam ai acumulados. Os ricos ate hoje conseguem pagar ate autoridades. Essa Senhora ai acima conheco toda toda familia deles porque o Sr. Abdul Magide tanbem aldrabou me muito. Agora arancou ultima heranca k tinha restado. Abdul Magide nao val nada. Esse gaju merece boa purada. Esses juizes ai estao cegos? Essa xena ja ta meter vergonha. Yuuuuu.. maxixe na vergonha e pior Autoridades suportando crimes.
Citar
 
 
+2 #14 Elidio Cunbane 12-08-2014 00:04
A FUNCIONARIA DO TRIBUNAL DA MAXIXE,DE NOME MAIAMO,vende informacoes em troca de recargas de celular. Essa Senhora tira fotocopias de documentos e todas actividades feitas no tribunal para certas amizades dela. Por muitas vezes vimos e ouvimos ela contando o que O advogado do uma familia ia la fazer. CONTROLEM ESSA MARIAMO
Citar
 
 
+1 #15 Marta Docente 25-08-2014 15:21
Nao sei o que dizer neste devido momento,apenas tanbem estou a sofrer injustica no tribunal da maxixe. Vendo esta gente batendo bocas aqui,com sigo notar que a muita populacao sendo afectada pela justica feitA em maxixe.Esse municipio da maxixe,afectou munta gente e hoje estamos a sofrer,perdemos casas,terrenos,
Citar
 
 
+1 #16 Sara Armando 25-08-2014 23:17
Esse aldrabao Abdul Magide e sua guengue,andam a falcificar documentos e roubar terrenos. a pouco tenpo fez o mesmo aos seus irmaos. Falcificou documentos e passou o resto da heranca deixada pelo pai em seu nome. Mandou a sua guemge ir fazer ameacas a irma e seus filhos.
O caso esta no tribunal da maxixe para ser julgado. Cabe aos Juizes da cidade a dar justica e a tirar essa patencia de aldrabao que o ABDUL MAGIDE USA. O SEnhor conhecido por Maito que vende refregerantes em frente ao mercado central nao tem juizo para alem de pagar esfomeados das reparticoes para forjarem documentos. Coitado dessas familiAS que estao a passar mal. SINTO MUITO E O TRIBUNAL ESTA AI A DAR PODERES AOS MALFETOSOS
Citar
 
 
+1 #17 adamo latifo 24-09-2014 13:17
O predio se for espaco comum sera dado poder o Magide,nao vala pena apontarem dedos ao ABDUL MAGIDE SO PORQUE VOCES nao gostam dele.
A justica dara o seu melhor. Cada um pucha pra seu lado. Nao estou contra nimguem,mas tanbem nao podemos acusar nimguem porque o caso parece que ainda nao terminou.
Citar
 
 
+1 #18 adamo latifo 24-09-2014 13:25
a verdade saira.
Citar
 
 
0 #19 Lorenco Ngome 18-02-2015 17:56
Afinal estam a debater o que mais? A justica vsaira por mas que levam anos. Ultimamente ficou moda casos levarem anos nos tribunais. Mas para que lutarem com palavras, quem for o dono saira victorioso/a. Acho tambem que esse publicacao feita online em nome da Sra jasmita, e mentira e falsa. Essa senhora nao publicou nada online ou nas outras e demais redes. Ouvi por alto que alguem esta usar nome dela para puder ter pontinhos no tribunal. Na verdade, ela nao fez isso. E uma mulher que pagou grande advogado para defender o seu caso, vai ter dinheiro para pagar jornal ou televisao. Isso e calunha!! Rsses que andam ai tentando ganhar sem razao aranjaram formas baixas desta vez.
Citar
 

Comentar


Código de segurança
Atualizar

 
Avaliação: / 6
FracoBom