Bairro do Aeroporto: um autêntico palco de criminalidade
Destaques - Nacional
Escrito por Coutinho Macanandze  
Quinta, 11 Dezembro 2014 17:54
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O Bairro do Aeroporto “A”, na cidade de Maputo, nos dias que correm, transformou-se num verdadeiro palco de criminalidade diversa, nomeadamente assaltos a residências e pessoas nos vários becos existentes, considerados campos de morte, agressões físicas, e recentemente violação sexual e assassinatos macabros.

A cada ano que passa a onda de criminalidade tende a ganhar contornos alarmantes e atingir novos moldes e formas de actuação, que têm transformado o bairro num inferno sem saída, e os principais alvos são mulheres,jovens, adultos e trabalhadores com algum prestígio, revelou Tomás Muhai, secretário daquele bairro.

São no total 19.879.43 habitantes subdividas em 43 quarteirões, que se sentem seguras apenas quando o sol desponta. Muhai aponta como razões do crescimento da criminalidade a existência de inúmeros becos, que facilitam a actuação dos malfeitores, devido ao fenómeno de construção desordenada, o patrulhamento irregular ou quase nulo da Polícia de protecção, o que gera, assim a intranquilidade, insegurança dos moradores que circulam com incerteza e medo da acção dos malfeitores.

Os meliantes não esperam pela noite para perpetrar desmandos, porque em qualquer momento do dia, ameaçam e arrancam telemóveis, dinheiro e outros pertences das pessoas que passam pelos esconderijos dos malfeitores, principalmente os quarteirões 16, 28, 38 e 39, autênticos centros de criminalidade de pequena e grande proporção, revelou Muhai. “Dos vários casos de assassinatos que ocorreram no bairro, o que teve lugar na semana passada foi o mais macabro, em que uma cidadã nacional de 40 anos, que responde pelo nome de Anifa Namalieque, encontrou a morte a 50 metros de sua casa”, explicou o secretário.

Poderá implantar-se o policiamento comunitário para estancar a criminalidade no bairro

Segundo o secretário,a estrutura local está trabalhar de forma afincada de modo a implantar o policiamento comunitário, com vista a frustrarqualquer tentativa de assalto, violação e agressão física através da vigilância permanente da própria comunidade em coordenação com a Polícia de Protecção, que se tem mostrado impotente para travar o fenómeno.

Para o efeito serão realizadas palestras de sensibilização aos moradores para que façam parte desta operação, que pode contribuir para atenuar o índice de criminalidade que tende a ser uma dor de doença, quer para as estruturas do bairro, assim como para a própria comunidade. Muhai mostra-se preocupado com a actuação da Polícia, que ocorre com muita irregularidade, uma vez que o patrulhamento é realizado de 30 em 30 dias. Factos que acaba facilitando a missão dos meliantes, que fazem e desfazem como bem entenderem.

“Os chamados becos ou corredores de morte viraram propriedades dos meliantes, porque são eles que mandam e determinam quando e em que momento passar, porque qualquer tentativa de desobediência resulta em agressão. A própria Polícia teme os corredores, porque não consegue desmantelar as quadrilhas que estão a deixar o bairro inseguro”, realçou o entrevistado. Muhai acredita que enquanto não existir um patrulhamento permanente, abrangente e estratégico, a onda da criminalidade vai aumentar de forma assustadora, porque nem todos os quarteirões são alvo da intervenção policial.

Vítimas queixam-se da falta de patrulhamento

Amélia Banze reside no quarteirão 39, e revelou à nossa Reportagem que na manhã de quarta-feira (04), de regresso de mais uma jornada de trabalho, foi interpelada por um grupo de indivíduos, que a ameaçaram com recurso a objectos contundentes. De seguida viriam apoderar-se do seu telemóvel, dinheiro e alguns pertences pessoais que trazia na bolsa e depois puseram-se em fuga para parte incerta.

“Precisamos de iluminação e da presença da Polícia urgentemente neste quarteirão, visto que caso a situação prevaleça ninguém terá coragem de sair de casa e circular na rua, uma vez que somos atacados a qualquer momento do dia”, concluiu a nossa interlocutora.

Por sua vez, Anifa saiu da sede do bairro, por volta das 15horas após mais um dia trabalho, uma vez que colaborava na implementação de algumas actividades desenvolvidas, nomeadamente distribuição de redes mosquiteiras, campanhas de vacinação, entre outras e, em troca, recebia pequenos subsídios, que contribuíam para suprir as despesas da família, composta por três membros, designadamente o filho de 20 anos de idade ainda estudante e a avó, que aparenta ter 65 anos de idade, os quais não desenvolvem nenhuma actividade de subsistência.

Por volta das 18 horas decidiu visitar a cunhada, tendo permanecido em casa destacerca de duas horas e depois deslocou-se à sua residência para repousar, mas não veio a efectivar tal pretensão porque recebeu a chamada do namorado e posteriormente saiu ao seu encontro. Era o prenúncio de um adeus precoce ao convívio familiar.

No entanto, depois de pouco mais de duas horas de convívio com o namorado, este acompanhou-a até as proximidades da sua residência. Quando tentava afastar-se do chamado beco de morte, foi interpelada por um grupo de malfeitores, que a despiram, espancaram e abusaram-na sexualmente até encontrar a morte. A preocupação aumentava a cada hora que passava por parte dos parentes da Anifa, que rezavam para que nada de mal lhe pudesse acontecer. Foi uma espera vã, visto que o medo de sair de casa para localizar o paradeiro dela tomava conta dos dois.

Na manhã de quinta-feira (04), Anifa foi encontrada sem roupa, com o corpo repleto de sinais de agressão e violação sexual, num local que fica a escassos metros da sua casa. A situação provocou agitação e a revolta dos familiares da vítima que não queriam acreditar no que tinha acontecido. Os parentes da malograda exigem um trabalho aturado da polícia, de modo a identificar, deter, condenar e responsabilizar os homicidas comuma pena exemplar pelo crime hediondo que cometeram contra a parente e amiga. Os restos mortais da Anifa Artur Namalie já jazem no cemitério muçulmano da Lhanguene, desde o passado sábado (06).

Muhai garantiu ao @Verdade que aestrutura do bairro, mesmo sem recursos conseguiu angariar apoios junto dos moradores num montante estimado em cerca de quatro mil meticais, com o objectivo de suprir as limitações financeiras da família, uma vez os parentes dependiam da malograda para alimentar-se e satisfazer outras necessidades básicas. Correia Jasse, outra vítima que sofreu agressões dos malfeitores, disse que tudo aconteceu na noite de sábado em que um grupo de seis indivíduos o interpelou e imobilizou por via da força e de seguida se apropriou do seu telemóvel.

“O meu amigo que estava comigo conseguiu fugir e deixou-me no meio dos assassinos, que desferiram golpes violentos contra mim e contraí ferimentos ligeiros na perna, nas mãos e na boca, de seguida deixaram-me estatelado no chão e puseram- -se em fuga para os becos após aperceberem-se da presença de alguns cidadãos que por ali passavam”, desabafou Jasse. Segundo Jasse, o que mais o irritou foi a apatia da Polícia, porque assim que os meliantes fugiram, ele deslocou-se à oitava esquadra para participar o caso e estes nada fizeram para identificar a quadrilha, senão entregar uma guia hospitalar.

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