Previsão de ciclones no início de 2018 em Moçambique; Governo enfim aprova Plano de Contingências
Vida e Lazer - Ambiente
Escrito por Adérito Caldeira  
Quarta, 20 Dezembro 2017 07:18
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O Instituto Nacional de Meteorologia(INAM) revelou que dois a três sistemas tropicais deverão chegar ao estágio de ciclones tropicais em Janeiro e Fevereiro próximos e poderá fustigar as Regiões Centro e Norte de Moçambique. Entretanto, só nesta terça-feira(19), quase três meses após o início da época chuvosa e depois de 18500 pessoas serem afectadas pelas chuvas e ventos fortes o Governo de Filipe Nyusi aprovou o Plano de Contingências, orçado em mil milhões de meticais mas só alocou no Orçamento de Estado de 2018 pouco mais de 162 milhões de meticais.

O meteorologista Acácio Tembe disse a jornalistas, após uma reunião do Conselho Técnico de Gestão de Calamidades, que os dados recentes disponíveis indicam a “ocorrência, para toda a bacia do Sudoeste Índico, de sete a dez sistemas tropicais, também temos a indicação de três a cinco sistemas que poderão chegar a categoria de ciclones tropicais e a Região que vai ter mais actividade ciclônica é a Oeste, que é onde Moçambique está localizado”.

“As previsões dão indicativo que dois a três sistemas se poderão atingir o Canal de Moçambique e poderão incidir nas Regiões Centro e Norte do país (...) em Janeiro e Fevereiro, a altura em que as águas superficiais do Oceano Índico e do Canal de Moçambique estarão muito quentes, acima de 28 graus, e por causa desse aquecimento há condições para o aparecimento desses sistemas tropicais e o desenvolvimento até a categoria de ciclones”, explicou Tembe.

“Há o indicativo que o período de Janeiro, Fevereiro e Março haverá ocorrência de chuvas intensas nas Regiões Centro e Norte do país, porque a atividade do zona de interconvergência tropical será muito activa”, acrescentou o meteorologista que revelou ainda existir previsão de chuvas intensas nos próximos 15 dias “que poderão ter um acumulado de precipitação de 300 milímetros”, nas províncias de Sofala, Manica, Zambézia, Nampula, Niassa e Cabo Delgado.

“Temos assegurada água para o abastecimento à cidade de Nampula pelo menos para os próximos seis meses”

Entretanto, Agostinho Vilanculos, da Direcção Nacional dos Recursos Hídricos, informou que devido a chuva que tem caído nos últimos dias na Região Norte foi registado algum escoamento nas bacias dessas províncias, “a bacia do Messalo que atingiu e superou o nível de alerta de 0,49 metros, ontem dia 18, mas sem impactos significativos para as comunidades”.

Já em Nampula a chuva melhorou o enchimento da albufeira local, que estava a 60% e tinha levado a restrições na distribuição da água. “(...)Neste momento, devido as chuvas que caíram, conseguimos elevar no nível de armazenamento para cerca de 87%, portanto neste momento temos assegurada água para o abastecimento à cidade de Nampula pelo menos para os próximos seis meses, e acreditamos que até ao final da época chuvosa podemos atingir os 100% de armazenamento”.

“Na Região Sul, nos Pequenos Libombos continuamos com os mesmos problemas, estamos com um nível de armazenamento não muito satisfatório e as restrições vão continuar”, explicou o engenheiro Agostinho Vilanculos.

18500 pessoas afectadas, 3784 casas destruídas, 146 salas de aulas destruídas

Na mesma conferência de imprensa do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades Naturais(INGC) actualizou o impacto das chuvas dos últimos dias em Moçambique. “(...)No dia 14 de Dezembro, ao nível da província de Inhambane, particularmente no município de Vilanculo, houve o registo de ventos fortes que destruíram 274, sendo que 257 ficaram parcialmente destruídas e 17 totalmente destruídas. Também houve o registo de 7 salas de aulas parcialmente destruídas e uma ficou totalmente destruída”.

“Houve também o registo de chuvas fortes na província do Niassa, no dia 15 de Dezembro, onde houve 105 casas destruídas, 40 totalmente destruídas, também houve o registo de um bloco administrativo que ficou parcialmente destruído assim como 3 salas de aulas”, clarificou Paulo Tomás, o porta-voz do INGC.

De acordo com a fonte, “(...)desde o início da época chuvosa, em Outubro, já houve o registo de 18500 pessoas afectadas, em termos de infra-estruturas foram registadas 3784 casas destruídas, sendo 184 totalmente destruídas e 368 casas inundadas”.

“Em termos do sector da educação temos o registo de 146 salas de aulas destruídas e 7 unidades sanitárias que ficaram afectadas até a momento”, além disso foi registado um óbito no Niassa, por descarga atmosférica, e outro óbito em Nampula vitimado pela cólera que afectou 1244 cidadãos nos distritos de Eráti, Memba e Nacarôa.

Ainda nesta terça-feira(19) o Governo, reunido em sessão Ordinária do Conselho de Ministros, enfim aprovou o Plano de Contingências para a época chuvosa 2017/2018, que nos anos passados tem sido aprovado entre Outubro e Novembro.

Paradoxalmente para suprir as necessidade deste Plano de Emergências, que está orçado em aproximadamente mil milhões de meticais, o Executivo de Nyusi alocou no somente 162.319.620 meticais no Orçamento de Estado aprovado semana passada pela Assembleia da República.

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