Retrospectiva 2017 - Dezembro
Destaques - Nacional
Escrito por Redação  
Sexta, 05 Janeiro 2018 07:45
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O mês de Dezembro foi marcado por situações negativas. De forma deliberada o Ministério de Interior impediu a entrada de turistas estrangeiros ao nosso país, o que de certa forma revelou a falta de bom senso por parte das autoridades moçambicanas. Este facto, sem dúvidas, marcou, de forma negativa, os moçambicanos. Além disso, a exoneração e nomeação do cargo de ministro da Agricultura e Segurança Alimentar para o de ministro de Negócios Estrangeiros e Cooperação, e a morte da cantora Zena Bacar, foram outros aspectos marcantes (pela negativa) no mês de Dezembro de 2017.

Ministério do Interior fecha Moçambique ao Turismo

Centenas de cidadãos estrangeiros que escalaram a capital de Moçambique no dia 10 de Dezembro de 2017, ao bordo de um navio cruzeiro, foram impedidos de fazer Turismo pelo Ministério do Interior. “O problema que chegou até nós é que o cruzeiro chegou e as pessoas não puderam sair porque a máquina que devia reconhecer os passaportes estava avariada”, explicou ao @Verdade o ministro Silva Dunduro. Há algumas semanas, turistas que chegaram noutro cruzeiro tiveram de escolher entre sujeitarem-se a horas de fila para obterem vistos e ficarem no conforto do navio... preferiram não visitar a cidade de Maputo!

Desde há alguns anos Moçambique entrou no roteiro turístico dos cruzeiros que partem da África do Sul e navegam pelas quentes águas do Oceano Índico. A oportunidade para o nosso país tirar partido desse Turismo vai muito para além das taxas que os navios e visitantes têm de pagar por passarem pelas nossas fronteiras.

Da restauração ao artesanato, passando pelos serviços de transporte e monumentos as potencialidades estão cá. Por um lado inexploradas pelos empresários na cidade de Maputo, faltam sugestões de roteiros e diversão que alicie os passageiros a deixarem o cruzeiro, por outro o Ministério do Interior parece ignorar que o Turismo foi consagrado prioridade para diversificação da economia pelo Governo de Filipe Nyusi, pelo menos nos discursos.

Aparentemente inconformados com a política de facilitação da emissão de vistos de turismo nas fronteiras os funcionários da migração esforçam- -se por criar entraves a quem venha visitar o nosso país. Além do custo, agora baixou para 50 dólares norte-americanos, os zelosos funcionários arrastam durante cerca de 30 minutos a emissão de um simples vistos cujo processo, de uma forma geral, consiste na leitura biométrica de um passaporte, recolha de impressões digitais e a inserção de alguns dados.

Exoneração de Pacheco do Ministério da Agricultura e sua nomeação para o ministro de Negócios Estrangeiros e Cooperação

O Presidente Filipe Jacinto Nyusi, sem apresentar nenhum motivo, como é prática, exonerou quatro membros do seu Governo, inédito em Moçambique. Se a demissão de José Pacheco era aguardada pelo trabalho que não tem feito na Agricultura, surpreendeu as saídas Letícia Klemens, escolha pessoal do Chefe de Estado, e de Max Tonela. Tudo indica que a queda de Oldemiro Balói tratou-se apenas de uma resposta ao desejo de descanso do discreto ministro.

Um comunicado lacónico da Presidência torna público que o Chefe de Estado “(...) exonerou através de despachos presidências separados os seguintes membros do Governo: Oldemiro Júlio Balói do cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação; José Condugua António Pacheco do cargo de ministro da Agricultura e Segurança Alimentar; Ernesto Max Elias Tonela do cargo de ministro da Indústria e Comércio; e Letícia Deusina da Silva Klemens do cargo de ministra dos Recursos Minerais e Energia.”

A recondução de Pacheco para a chefia de um Ministério, que assumiu em 2010, que deveria ser dos mais importantes em Moçambique mas que acabou esvaziado pelo ministro da Terra e Desenvolvimento Rural pareceu mais o acantonamento de uma figura que tinha um grande capital político até ao último Congresso do partido Frelimo.

O Presidente da República, após exonerar quatro ministros de onde figuram Oldemiro Baloi José Pacheco, MaxTonela e Letícia Klemens, nomeou em Despachos Presidenciais separados José António Pacheco para o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação. Depois de algum júbilo por parte de vários sectores da sociedade pela sua exoneração do cargo de ministro da Agricultura e Segurança Alimentar o país foi surpreendido com o despacho presidencial que nomeia José Condugua António Pacheco para titular dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, em substituição de Oldemiro Balói. É um caso único de longevidade governamental apesar dos vários escândalos e aparente incompetência nos vários cargos que ocupou.

Morte de Zena Bacar

Faleceu, vítima de doença prolongada na cidade de Nampula, Zena Bacar aos 68 anos de idade, na miséria. “A música é o dom de Deus. Não posso deixar de cantar só porque algumas pessoas não me valorizam. Tenho que valorizar essa enxada que Deus me deu”, disse certa vez ao @Verdade a diva, que em nada se compara as meninas que vestem saias curtas, maquilham-se e vão ao palco abanar o traseiro!

Nascida no Lumbo, a 25 de Agosto de 1949, iniciou a sua relação com a música interpretando temas folclóricas e a dançar nos grupos maioritariamente compostos por homens da sua aldeia, com seis anos de idade, tendo posteriormente conquistado a fama com a qual levou o seu grupo Eyuphuro para a cidade de Lourenço Marques, actual Maputo.

A sua primeira música, intitulada Urera Krera, ou mesmo que “Vaidade sem Juízo” na língua de Camões, foi gravada em 1980. Em entrevista ao @Verdade em 2015 confessou que a morte do seu único filho debilitou ainda mais a sua já difícil vida artística. “A morte do meu filho influenciou-me bastante! Não só a carreira mas também a minha parte espiritual, porque ele não deixou sequer netos e, ainda por cima, era filho único. Cheguei até a padecer de perturbações mentais”.

Na altura ganhava a vida cantando em festas familiares. “Eu sei que já não tenho condições para idealizar coisas maiores e melhores, mas ainda continuo a cantar com o meu conjunto – Eyuphuro. Nesses biscates, às vezes, senão sempre, ganha, em cada um, 100 a 200 meticais” disse ao @Verdade.

Do Estado ganhou apenas uma Medalha de Mérito Artes e Letras, atribuída em 2014 pelo então Presidente Armando Guebuza.

Doente há vários meses, Zena Bacar regressou a Nampula já transportada em maca. De acordo com a irmã o estado de saúde da diva agravou-se no final do dia 23 de Dezembro de 2017. A sua partida para o descanso eterno foi abençoada por uma intensa chuva, que caiu durante a madrugada do dia 24 de Dezembro na chamada capital Norte de Moçambique.

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