Funcionária da Rádio Moçambique assassinada à sangue frio na Matola
Destaques - Nacional
Escrito por Emildo Sambo  
Segunda, 09 Abril 2018 07:31
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Uma funcionária da Rádio Moçambique (RM) foi encontrada sem vida e com vários e profundos golpes efectuados com recurso a uma faca da cozinha, na semana finda – 48 horas antes da celebração do Dia da Mulher Moçambicana – na sua residência, no município da Matola. Em conexão com o crime, a Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve três indivíduos, um dos quais é adolescente de 17 anos de idade, por sinal sobrinho da vítima, e que assume a autoria do homicídio.

O assassinato aconteceu em plena tarde da última quinta-feira (05), pouco tempo depois de a malograda, com mais de 40 anos de idade, ter chegado à sua casa, ido do trabalho, segundo a Polícia.

Trata-se de Ivone Pedro, que estava afecta ao sector de contabilidade na estação radiofónica pública.

Ela vivia no bairro Juba, naquele ponto da província de Maputo, onde em Setembro de 2016, um jovem de nome Armando Manasses matou dos seus pais, a sangue frio, depois de lhe recusarem o pedido de dinheiro para a compra de bebidas alcoólicas. De seguida, ele atirou os cadáveres numa fossa céptica. Ele foi condenado a 31 anos de prisão e os seus dois amigos e comparsas, Abel Mula e Hélio Mondlane, a 21 anos.

Em menos de dois anos, a tragédia repete-se no mesmo município, onde, aliás, também, numa noite de Maio de 2014, um indivíduo identificado pelo nome de António Ernesto, de 36 anos de idade, agrediu mortalmente a sua mãe de 60 anos de idade, com recurso a instrumentos contundentes, no bairro bunhissa, por razões desconhecidas e fugiu.

Desta vez, a vítima foi uma tia tirada a vida, igualmente a sangue frio, pelo próprio sobrinho, de apenas 17 anos de idade, e que diante das câmaras da televisão pública, TVM, apresentou-se como namorado e neto de uma suposta amiga da finada. De acordo com as suas palavras, o alegado namoro existia há dois anos.

Todavia, o @Verdade apurou que o miúdo é sobrinho da malograda e dias antes de a mulher ser morta, ele foi expulso de casa devido ao mau comportamento que consistia no consumo de drogas, bebidas alcoólicas, insultos à vítima e algumas vezes ameaças de morte quando fosse chamado à razão. Ele rebelava-se sempre que era advertido sobre a necessidade de evitar determinadas amizades.

Ao expulsar o rapaz do seu lar, aparentemente como forma de castigá-lo para que se arrependesse, revisse a sua conduta e se afastasse das supostas más companhias, a mulher esqueceu-se de reaver as chaves da casa, que estavam na posse do miúdo. Este, porque conhecia a rotina de Ivone Pedro, continuou a frequentar a residência sem o conhecimento da dona, até que em pouco tempo ela desconfiou que alguma coisa se passava na sua ausência.

O acusado contou que quando a tia estivesse no serviço ele entrava, preparava e passava refeições sem ninguém saber.

Questionado sobre como o homicídio cometeu e por que motivo, o adolescente confirmou que há dias a finada o expulsara de casa, mas ele não levou nada a sério, uma vez que tinha as chaves de todos os acessos.

“Voltei sem o conhecimento dela” e o que “eu sabia é que ela chegava à casa entre as 18 e 20h00, mas nesse [fatídico] dia regressou cedo, por volta das 14h00 (...)”, narrou o rapaz.

“Peguei numa faca, fiquei atrás da porta e quando ela entrou não pensei duas vezes e comecei a esfaqueá-la (...)”, disse o adolescente, aparentemente todo despreocupado.

Num outro desenvolvimento, ele contou que, quando percebeu que a vítima perdia bastante sangue entrou em desesperado, procurou “uma blusa dela para tentar estancar o sangue que escorria intensamente”, o que não evitou a morte da cidadã.

Os outros dois presumíveis comparsas do principal acusado contaram que este transportou bebidas alcoólicas e cannabis sativa, vulgarmente conhecida por soruma, no carro da vítima até ao local onde eles se encontravam com frequência. A dado momento, “ele disse que ia para casa trancar as portas que tinha deixado abertas”, explicou o mais velho do grupo.

Porém, circularam pelas redes sociais algumas mensagens que os três indiciados trocaram antes e depois do assassinato de Ivone. Numa delas, um dos integrantes pergunta ao adolescente se ele já teria ou não morto a senhora. Diante da confirmação, o cidadão ainda perguntou de forma o homicídio foi cometido, sendo que a resposta foi: “Matei sim, com uma faca (...)”.

Consumado o crime, os acusados fizeram-se transportar na viatura da finada, com a matrícula AFA 231 MP, tentando fugir mas foram interceptados por uma brigada da Polícia na zona de Malhampswene. No carro foram achados alguns recipientes que continham bebidas secas, restos de soruma e os pertencentes da malograda.

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