Nyusi encerra busca de vítimas do Ciclone IDAI e anuncia medidas de apoio que pouco ajudam os sobreviventes na Beira e distritos afectados pelas cheias
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Escrito por Adérito Caldeira  
Sexta, 29 Março 2019 07:22
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Foto da Presidência da RepúblicaO Presidente de Moçambique anunciou nesta quinta-feira (28) que “(...)após 15 dias de actividade intensa de busca e salvamento as equipas nacionais e internacionais concluíram a fase de levantamento e salvamento de todas as pessoas que estavam e cima de tectos de casas, árvores ou isoladas em pequenas ilhas”. Filipe Nyusi divulgou ainda um “pacote de medidas iniciais que irão mitigar impactos nos sectores sociais e económicos” que pouco ajudarão os residentes da Beira, Búzi, Nhamatanda e Sussundenga a recomeçar a vida.

Após o resgate de cerca de 135 mil pessoas que estiveram sitiadas nos distritos de Sussundenga, Nhamatanda e Dondo o Chefe de Estado anunciou: “Após 15 dias de actividade intensa de busca e salvamento as equipas nacionais e internacionais concluíram a fase de levantamento e salvamento de todas as pessoas que estavam e cima de tectos de casas, árvores ou isoladas em pequenas ilhas que se foram formando. Hoje podemos anunciar que concluímos uma etapa crítica que consistia na operação de busca e salvamento, as equipas no terreno continuam vigilantes e prontas para intervir sempre que a situação exigir”.

“A amplitude e a complexidade de gestão desta calamidade impele ao Governo a associar-se a agencias especializadas na administração transparente e credível de todo o processo, neste termos o Governo vai engajar um parceiro internacional que trabalhará com o INGC para assegurar todos os elementos de boa gestão dos fundos e bens doados, bem como publicitar a informação de qualidade sobre os recursos recebido e a sua aplicação”, declarou Nyusi na cidade da Beira, após voltar a sobrevoar essas regiões que estiveram inundadas desde o passado dia 16.

O Presidente divulgou ainda que o seu Governo, “no quadro da Lei de Calamidades Naturais aprovou um pacote de medidas iniciais que irão mitigar impactos nos sectores sociais e económicos nas áreas afectadas (...) estas medidas serão aplicadas na cidade da Beira e nos distritos afectados até Dezembro de 2019”.

Foto de Fernando Domingos

“Na Saúde vacinação de 800 mil pessoas contra a cólera contra surtos explosivos, suspensão de todas as taxas cobradas no Sistema Nacional de Saúde e instalação de hospitais de campanha com blocos operatórios na cidade da Beira e distritos de Dondo, Búzi, Nhamatanda e Sussundenga. Acesso a medicação gratuita no Sistema Nacional de Saúde (...) Na Educação reimpressão e distribuição de livros escolares incluindo cadernos. Na Energia, desconto de 50 por cento da factura para os sectores produtivos, nomeadamente para os agentes económicos do sector de indústria e comércio. Na Agricultura, distribuição inicial e gratuita de 100 mil utensílios e 1000 toneladas de sementes diversas para culturas de ciclo curto (...) Nos Transportes, descontos de 50 por cento nas tarifas de passageiros em todos os serviços de transporte ferroviário na Linha Férrea de Sena como na de Machipanda. Desconto de 50 por cento nas tarifas de recovagem, transporte ferroviário de mercadorias e passageiros, de diversos produtos, materiais de construção excepto clínquer e o cimento. Transporte ferroviário gratuito de todos os bens e donativos de emergência”, detalhou.

Mas o @Verdade entende que, à parte da Saúde e Educação que são Direitos consagrados na Constituição da República, os descontos nos transportes ferroviários muito pouco benefício trarão ao 1,8 milhão de afectados pelo Ciclone IDAI e pela cheias salvo para o distrito de Nhamatanda que pode beneficiar no transporte barato a partir do Porto da Beira. Os distritos de Búzi e Sussundenga não tem acesso a Linha de Sena nem de Machipanda e os beirenses são abastecidos através de camiões, barcos ou aviões!

Relativamente ao desconto na factura de energia podemos esperar para perceber que burocracias serão necessárias para a sua obtenção. Caso seja idêntica ao processo necessário para obter acesso a tarifa de energia para a Agricultura, que desde a sua introdução em 2010 é usada por cerca de 200 clientes da Electricidade de Moçambique, os moçambicanos vitimados pelo ciclone e cheias não conseguirão o anunciado desconto de 50 por cento.

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