Doadores prometem apenas 1,2 dos 3,2 biliões de Dólares que Moçambique precisa para reconstrução pós ciclones
Destaques - Nacional
Escrito por Adérito Caldeira  
Segunda, 03 Junho 2019 07:20
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Foto da Presidência da RepúblicaOs doadores internacionais não abriram os cordões das suas bolsas e, embora tenham prometido ajudar na reconstrução das províncias fustigadas pelos ciclones Idai e Kenneth, deverão dar somente 1,2 bilião de Dólares norte-americanos, menos de metade dos 3,2 biliões de Dólares estimados pelo Governo. Apenas o Município da Beira quantificou em 888 milhões de Dólares o Plano de Reconstrução e Resiliência da Cidade. Filipe Nyusi, que aproveitou a estadia na capital da Província de Sofala para campanha eleitoral já tem mais uma desculpa para atrasar o futuro melhor: “O Idai e o Kenneth violentaram o caminho traçado para o desenvolvimento progressivo de Moçambique e do seu povo”.

O Governo abalou novamente para a Cidade da Beira, na passada sexta-feira (31) e sábado (01), para tentar conseguir que os Parceiros de Cooperação doassem o que foi quantificados como necessidades dos impactos dos ciclones mas também muitos outros milhões para financiar obras e actividades que são a sua responsabilidade financiar.

“O Idai e o Kenneth violentaram o caminho traçado para o desenvolvimento progressivo de Moçambique e do seu povo” começou por afirmar o Presidente Filipe Nyusi, que tem assim mais uma desculpa para adiar o futuro melhor prometido por sucessivos governos do partido Frelimo.

O Chefe de Estado anunciou a mais do que esperada revisão em baixa do Produto Interno Bruto em 2019, “prefiro dizer que o crescimento será de apenas 2 por cento”, discorreu sobre os danos que os ciclones deixaram frágeis infra-estruturas do Centro e Norte de Moçambique e alertou que “1,5 milhão de pessoas necessitarão de apoio alimentar de Setembro deste ano à Março do próximo ano, nos próximos meses prevemos grande situação de crianças e mulheres grávidas sofrendo de desnutrição aguda ou moderada”.

Mas apesar dos apelos, até das Nações Unidas que revelou que do apelo humanitário de emergência de 282 milhões de Dólares, lançado há 2 meses, registou contribuições “muito aquém daquele valor”, os doadores internacionais não abriram os cordões das suas bolsas e assumiram o compromisso de disponibilizar apenas 1,2 biliões de Dólares.

Embora o pedido do Governo tenha sido claramente exorbitante, até porque os ciclones não causaram danos massivos nas seis províncias como se pretende fazer crer, só o Município da Beira apresentou um Plano de Reconstrução e Resiliência orçado em 888.447.517 Dólares.

Porém, se o Executivo conseguir que grande parte da ajuda prometida seja disponibilizada até ao final de 2019, será um importante tónico para a economia e um impulso na campanha eleitoral, por isso o Presidente Nyusi pediu a “simplificação dos métodos como esses apoios serão feitos” e ainda “urgência na sua concretização na mobilização do montante global é crucial para que os alicerces da estabilidade macroeconómica não sejam demasiadamente afectados, facto que, a acontecer, tornaria a recuperação muito mais lenta”.

Aliás Filipe Nyusi aproveitou a viagem paga por todos os moçambicanos para acções de campanha eleitoral com os simpatizantes do seu partido na Província de Sofala.

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