Guterres só trouxe apoio moral mas disse que o mundo tem obrigação de apoiar Moçambique “à escala da dimensão dos problemas”
Destaques - Nacional
Escrito por Adérito Caldeira  
Quinta, 11 Julho 2019 23:12
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Foto da Presidência da RepúblicaAntónio Guterres veio à Moçambique trazer pessoalmente o apoio moral da Organização das Nações Unidas (ONU) aos moçambicanos, que ainda estão em situação humanitária devido aos ciclones Idai e Kenneth, e ao Governo de Filipe Nyusi que não tem conseguido que os Parceiros de Cooperação desembolsem sequer o 1,2 bilião de Dólares que prometeram. “As Nações Unidas estiveram e estão ao lado do povo moçambicano apelando a Comunidade Internacional para que apoie Moçambique à escala da dimensão dos problemas, quer na resposta (humanitária) quer na reconstrução” declarou o Secretário-Geral da ONU.

Guterres, que já tinha visitado o nosso país no exercício de todas as funções oficiais que teve, começou por declarar que a sua visita é “de expressão clara de solidariedade. Solidariedade minha mas sobretudo solidariedade das Nações Unidas com o povo moçambicano, com o seu Governo, que atravessaram uma situação extremamente difícil com os dois ciclones que tiveram”.

“Moçambique tem aqui uma autoridade moral inegável, porque é hoje claro que estes desastres naturais que se repetem com cada vez maior intensidade e com maior devastação tem muito a ver com as alterações climáticas, ora Moçambique praticamente não contribui para o aquecimento global, mas Moçambique está na primeira linha das vítimas desse mesmo aquecimento global e isso dá-lhe o direito de exigir da comunidade internacional uma forte solidariedade e um forte apoio quer na resposta aos dramas criados pelas tempestades que assolaram o país, quer na reconstrução e na preparação do país para as situações futuras”, disse o SG da ONU numa directa aos países mais ricos e que mais contribuem para as Mudanças Climáticas.

António Guterres, que falava a jornalista após reunir com o Chefe de Estado em Maputo, apelou “a comunidade internacional para que apoie Moçambique à escala da dimensão dos problemas, quer na resposta (humanitária) quer na reconstrução” e revelou que o apelo humanitário de emergência que a instituição que dirige lançou em Março, de 282 milhões de Dólares norte-americanos, “está longe de estar inteiramente cumprido”.

Para além desse montante, que é apenas para assistência humanitária a 1,7 milhão de moçambicanos que ainda vivem sob efeitos directos do Ciclone Idai, na Região Centro, o @Verdade apurou que as Nações Unidas estão a procura de mais 104 milhões de Dólares para que as suas agências possam continuar a apoiar os cidadãos afectados pelo Ciclone Kenneth, na Região Norte, e precisa de outros 55,2 milhões de Dólares norte-americanos para fazerem face às necessidades de emergência de 700 mil pessoas que na Região Sul estão a ser castigados pela seca.

O Secretário-Geral da ONU lembrou que na Conferência de Doadores que o Estado moçambicano organizou para mobilizar 3,2 biliões de Dólares foram prometidos 1,2 bilião de Dólares que até hoje não foram disponibilizados.

“É evidente que vai ser preciso mais, mais ajuda, mais apoio da comunidade internacional a Moçambique para poder responder efectivamente, e não apenas mais apoio mas a concretização rápida dos apoios prometidos. Essa é outra questão decisiva em relação a solidariedade da Comunidade Internacional, é preciso não apenas apoiar mas apoiar à tempo”, concluiu Guterres que nesta sexta-feira (12) vai ver com os próprios olhos os dramas que ainda se vivem na Cidade da Beira.

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