Opinião - OBITUÁRIO
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O físico britânico Stephen Hawking, que buscou explicar algumas das mais complicadas questões da vida trabalhando sob a sombra de uma provável morte prematura, morreu aos 76 anos.

Hawking morreu em paz na sua casa na cidade universitária de Cambridge, nas primeiras horas desta quarta-feira. “Estamos profundamente tristes pelo falecimento hoje de nosso amado pai”, disseram seus filhos Lucy, Robert e Tim em comunicado.

A mente extraordinária de Hawking testou os limites do entendimento humano tanto sobre a vastidão do espaço como sobre o complicado mundo submolecular da teoria quântica, que ele dizia que poderia prever o que acontece no início e no fim do tempo.

O seu trabalho cobriu desde as origens do universo até a perspectiva tentadora das viagens no tempo e os mistérios dos buracos negros.

“Ele foi um grande cientista e um homem extraordinário, cujos trabalho e legado viverão por muitos anos”, disse sua família. “ A sua coragem e persistência, assim como o seu brilho e humor, inspiraram pessoas do mundo todo”.

O poder de seu intelecto contrastava cruelmente com a fraqueza de seu corpo, devastado pela doença do neurónio motor que ele desenvolveu a partir dos 21 anos de idade.

Hawking passou a maior parte da vida preso a uma cadeira de rodas. Devido à deterioração de sua condição, ele teve que recorrer a um sintetizador de voz para falar e ao movimento das sobrancelhas para se comunicar.

A doença o instigou a trabalhar mais duro, mas também contribuiu para o fracasso de seus dois casamentos, como relatou no livro de memórias “Minha Breve História”, de 2013.

No livro ele conta como reagiu ao diagnóstico: “Achei que era muito injusto – por que aquilo devia acontecer comigo?”, escreveu. “À época achei que minha vida estava acabada e que jamais desenvolveria o potencial que sentia ter. Mas agora, 50 anos depois, me sinto discretamente satisfeito com a minha vida”.

Hawking alcançou fama internacional após a publicação de “Uma Breve História do Tempo”, de 1988, um dos livros mais complexos a conquistar o grande público, tendo permanecido na lista de mais vendidos do jornal Sunday Times durante 237 semanas. Ele disse tê-lo escrito para transmitir a sua própria empolgação com descobertas então recentes sobre o universo.

“O meu objetivo original era escrever um livro que vendesse em bancas de aeroporto”, disse ele aos repórteres na ocasião. “Para ter certeza de que era compreensível, experimentei o livro com minhas enfermeiras. Acho que elas entenderam a maior parte”.

Ele se sentia particularmente orgulhoso por só ter usado uma equação matemática – a famosa E=MC2 da Teoria da Relatividade.

“Perdemos uma mente colossal e um espírito maravilhoso”, disse Tim Berners-Lee, o inventor da rede mundial de computadores. “Descanse em paz, Stephen Hawking”.

O reconhecimento popular de Hawking foi tão grande que ele participou da série “Star Trek: Next Generation” e sua versão de desenho animado apareceu em “Os Simpsons”.

“A Teoria de Tudo”, filme de 2014 que tem o ator Eddie Redmayne no papel do cientista, relata o surgimento de sua doença e os primeiros passos do estudante brilhante às voltas com buracos negros e o conceito de tempo.

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