Editorial
Escrito por Redação  
Sexta, 01 Dezembro 2017 08:23
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É de senso comum, para todos os moçambicanos, que não se deve dar uma réstia de credibilidade às palavras do ministro de Economia e Finanças, Adriano Maleiane. Até porque os moçambicanos já o ouviram dizer que não sabia da existência das dívidas contraídas ilegalmente pelo Governo da Frelimo. Mais tarde, assistimos a Maleiane a defender que a dívida pública moçambicana era sustentável, para além de ter dito que “a dívida não era um mal em si” e que “não havia registo de outras dívidas”, entre outras baboseiras.

Com o tempo, provou-se que tudo que Maleiane andou a dizer não passava de conversa para boi dormir, uma vez que as dívidas ilegais foram reveladas e assistimos ao Estado moçambicano a dar calotes aos seus credores, não honrando o pagamento das prestações acordadas.

Desde que assumiu o cargo de ministro de Economia e Finanças, Adriano Maleiane tem estado a passar atestado de ignorantes ao povo moçambicano, apresentando uma imagem colorida da situação económica e financeira do país, quando é evidente o abismo para o qual Moçambique caminha. Essa situação, os moçambicanos não só sentem todos os dias no seu bolso, mas também na hora de levar comida à mesa.

Não fugindo à regra, Maleiane, falando durante a sessão de perguntas ao Governo na Assembleia da República, disse que não é verdade que o Governo tenha concedido 30 anos de benefício fiscais à “Eni” e à “Anadarko”, e disse ainda que o que está a acontecer é que há taxas de produção petrolífera. Esta é mais uma história mal contada pelo ministro de Economia e Finanças com vista a lançar areia para os olhos dos moçambicanos, pois o que aconteceu, na verdade, é que o Parlamento aprovou por consenso a proposta de lei que altera o regime específico de tributação e de benefícios.

As alterações que o Governo da Frelimo propôs aos deputados mostram claramente que se está a dar benefícios fiscais àquelas multinacionais em troca de ninharia. Além disso, relativamente às receitas do Imposto de Mais-Valia, o ministro disse que o Governo a que pertence não pretende criar um Fundo Soberano, com essas receitas, “nos moldes clássicos que hoje são feitos” noutros países com recursos minerais. Entretanto, não esclareceu para onde o Executivo de Nyusi vai canalizar a receita do negócio entre a Eni e a Exxon Mobil.

Trata-se, diga-se em abono da verdade, de mais uma vergonhosa manobra com o objectivo de tornar o país mais pobre do que já está em benefício de uma corja de indivíduos ligados ao partido no poder. Portanto, o ministro Maleiane devia ter vergonha na cara, antes de vir ao público para insultar a inteligência dos moçambicanos, pois é de conhecimento de todos que o Executivo de Nyusi tem estado a empurrar sem precedentes o país para a desgraça.

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