Editorial
Escrito por Redação  
Sexta, 12 Janeiro 2018 08:21
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Devido ao bárbaro e covarde assassinato do edil de Nampula, Mahumudo Amurane, o município vai acolher eleição intercalar para a escolha do presidente do Conselho Municipal da cidade de Nampula, no próximo dia 24 de Janeiro. A campanha eleitoral, que arrancou na última terça-feira (9), para o efeito já está ao rubro. As imagens sobre a campanha eleitoral trazidas pelos meios de comunicação social, sobretudo os órgãos de informação especializados em alienarem e desorientarem a população, mostram-nos, uma vez a outra, até ao enjoo, uma situação deprimente.

Vemos e ouvimos os cincos candidatos a edil de Nampula insultando a inteligência/ consciência dos nampulenses, fazendo promessas que, por incompetência, desleixo e propensão à corrupção, não vão poder cumpri-las. O que Amurane fez em sensivelmente três anos nenhum outro autarca neste país já o fez. No entanto, é deveras caricato quando os cinco candidatos prometem melhorar a vida dos munícipes de Nampula em menos de um ano.

Os discursos de que haverá mais água e melhorias nos mercados da cidade feito pelo candidato da Frelimo, a remoção de lixo e continuidade das obras de Amurane por parte do candidato do MDM, eliminar buracos pelo candidato de AMUSI, a construção de um ambiente de paz, prometido pela senhora Filomena Mutoropa, e emprego para os jovens prometido pela Renamo, não passam de mera demagogia.

Na verdade, quando se deles esperava moderação e, de alguma maneira, contenção, os políticos legitimam o mais hipócrita de todos os princípios de que em Moçambique o momento de caça ao voto, o esbanjamento, a ostentação e as promessas infundadas são as palavras de ordem.

Numa altura que o país atravessa uma crise criada pelo Governo da Frelimo, é obsceno realizar-se esta infecunda e inútil eleição intercalar à custa dos nossos impostos enquanto milhares de moçambicanos vivem numa desgrenhada miséria doméstica, em condições de tamanha desumanidade e enfrentam os duros, violentos e insuportáveis combates de que é feita a vida vivida à intempérie.

É deveras repugnante e simultaneamente revoltante ver o que fazem os candidatos com o dinheiro do erário. Muito dinheiro que deveria ser poupado é vergonhosamente utilizado para protagonizar imensos circos deprimentes e é gasto em caravanas pejadas de seres humanos aflitivamente alienados e preparados para prestar vassalagem, cantar hossanas e satisfazer caprichos oportunistas de políticos profissionais consagrados na Corrupção Organizada.

Os munícipes de Nampula não deveriam legitimar essa pouca vergonha, em memória e consideração ao trabalho desenvolvido por Amurane nos últimos três anos. Portanto, esta eleição deveria ser uma oportunidade para os nampulenses mostrarem de forma viva o seu desapontamento pelo assassinato bárbaro do seu edil e o não esclarecimento do crime.

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