Editorial
Escrito por Redação  
Sexta, 19 Janeiro 2018 08:23
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A seriedade de um determinado país também mede-se não só na capacidade de gestão de situações de problemas, mas sobretudo na prevenção dos mesmos. Durante muito tempo, o Governo moçambicano limitou-se a fazer a gestão de calamidades, no lugar de precaver-se dela. Como consequência disso, quase todos anos assistimos o mesmo cenário: perda de vidas humanas e destruição de habitações e infra-estruturas económicas e sociais a nível de todo país, causados pela chuvas que ciclicamente caem nos meses de Dezembro e Janeiro.

Porém, apesar do caos causado, o trabalho de prevenção que tem sido realizado pelo Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE) evitou a perda de vidas nos primeiros dias de impacto da Depressão Tropical que fustiga o Centro e Norte de Moçambique. Essa situação fez com que mais de 20 mil pessoas ficassem desalojadas na província de Nampula e colocou outras milhares em risco nas inundadas as bacias do Licungo (na Zambézia), Meluli (Nampula), Messalo (Cabo Delgado) e Megaruma (Cabo Delgado).

Por um lado, esse trabalho do CENOE é de louvar, uma vez que permitiu que as famílias abandonassem as zonas de risco a tempo e hora. Por outro, é preocupante quando o Governo, por negligência, demora para tomar uma decisão em relação a um problema que já é conhecido por todos. Ou seja, é sabido por experiência que todos os anos o nosso país regista chuvas fortes que culminam com perdas de vidas humanas e destruição de casas e outras infra-estruturas.

A título de exemplo, a Depressão Tropical que desde a passada segunda-feira(15) está a originar chuvas intensas e ventos fortes no Norte de Moçambique, e em parte da província da Zambézia, já destruiu 4.170 casas, na sua maioria de material precário, deixando ao relento 20.494 pessoas nos distritos de Ilha de Moçambique, Monapo, Mossuril e Meconta. Na cidade e província de Maputo, as chuvas que caíram no passado dia 8 de Janeiro inundaram mais de duas mil casas e afectaram aproximadamente oito mil munícipes.

Estas situações que se verificam todos anos em quase todo o país são evitáveis, mas tudo indica que falta de vontade por parte do Governo da Frelimo que parece tirar proveito na desgraça dos moçambicanos. Portanto, uma vez que já se sabe quais são as zonas de riscos e regiões propensas à clamidades, o Governo tem de começar a agir para evitar as perdas avultadas que se registam na época chuvosa.

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