Editorial
Escrito por Redação  
Sexta, 26 Janeiro 2018 08:24
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A cidade de Nampula acolheu, na última quarta-feira (24), a eleição intercalar do presidente do Conselho Municipal e, como já era de se esperar, o grande vencedor do escrutínio foi a Comissão Nacional das Eleições (CNE) e o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE). Estes dois organismos juntaram-se, mais uma vez, para manchar um processo que deveria ser livre, justo, transparente e, acima de tudo, imparcial.

Nesta quarta-feira, os “nampulenses” foram surpreendidos com situações tendenciosas cuja finalidade era sem dúvidas beneficiar, como sempre, o candidato do partido Frelimo. Ou seja, a CNE e STAE garantiram a habitual desorganização, com o apoio da Electricidade de Moçambique, que resultou não só em nova vitória da abstenção em Nampula, mas também na vantagem do candidato da Frelimo.

A desorganização começou muito antes da campanha eleitoral, com situações de alteração dos cadernos eleitorais, facto esse que foi denunciado pelos partidos políticos. Já o processo de votação foi marcado por atraso na abertura das mesas de votação, passando pelos casos relacionados com a falta de nomes de eleitores nalguns cadernos até à falta de uma orientação clara aos eleitores por parte dos membros de mesa de votação, para além da situação em que alguns eleitores viram-se obrigados a não votarem, não obstante exibirem um cartão de eleitor válido.

Usando uma desculpa esfarrapada, a CNE e o STAE alegaram a chuva intensa que caiu na noite de terça-feira (23) pelos atrasos na distribuição dos kits com os materiais de votação. Porém, o mais caricato é que vários membros de mesas de voto relataram que os kits não estavam preparados nas primeiras horas de quarta-feira (24) e outros disseram que aguardavam o subsídio de alimentação para se deslocarem as respectivas assembleias de votação.

A forma como foi organizada a eleição intercalar em Nampula mostra claramente que tanto a CNE quanto o STAE estão à reboque da Frelimo, razão pela qual se desdobra para satisfazer os caprichos daquele partido. É deveras revoltante quando num Estado de Direito democrático situações dessa natureza acontece. É mais revoltante ainda quando as autoridades competentes fazem de contas que nada aconteceu.

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