Editorial
Escrito por Redação  
Sexta, 02 Fevereiro 2018 06:30
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Os resultados da eleição intercalar para a escolha de novo presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nampula falam por si. Os candidatos da Frelimo e Renamo foram, efectivamente, os mais votados na eleição intercalar realizada a 24 de Janeiro último, na cidade de Nampula, mas nenhum deles amealhou votos suficientes para ser declarado eleito e substituto de Mahamudo Amurane, covardemente assassinado a 04 de Outubro de 2017, na sua residência.

Os munícipes de Nampula demonstraram redondamente a sua indignação no dia da votação, não se fazendo às urnas. Ou seja, apenas 73.852 votaram (24,90%), o que significa que 222.738 (75,10%) não se fizeram ao local de votação. Esse comportamento que se pode descrever como um acto anti-político ou de falta de consciência de cidadania é, na verdade, uma forma de de participação passiva, pois é um um voto silencioso.

Os munícipes mostraram claramente que ainda estão de luto pelo assassinato do seu edil, uma figura que muito fez pela cidade em pouco tempo de governação. Fazer-se massivamente às urnas seria insultar a memória de Amurane e legitimar um bando de corruptos que medra à custa do sofrimento dos moçambicanos. Aliás, os nampulenses demonstraram também que nunca se deve aceitar que uma minoria corrupta continue a dirigir os destinos da urbe e a ampliar o seu património pessoal até para lá do inaceitável em detrimento dos legítimos interesses da maioria.

Os munícipes de Nampula perceberam que cabe a eles decidir quem deve ou não governar o município e que jamais devem permitir que a sua cidade volte a registar retrocesso no desenvolvimento. Os nampulenses, cada vez mais, começam a ficar conscientes de que não há outra maneira de demonstrar a sua indignação e também insatisfação em relação à forma como são conduzidas as eleições no país. Os eleitores de Nampula tomaram consciência que a principal arma que pode abrandar toda essa pouca vergonha, acima de tudo, demonstrar o seu sentimento é abstenção.

O recurso à abstenção não pode ser visto como uma atitude meramente insensata. Porém, trata-se de discernir a opção mais justa num ambiente de políticos profissionais, corruptos e oportunistas. Portanto, mesmo que se encontre na segunda volta o novo presidente do Concelho Municipal da Cidade de Nampula, os nampulenses já terão deixado ficar a sua indignação em relação ao assassinato do seu edil e também a forma vergonhosa como são realizados os processos eleitorais.

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Actualizado em Sábado, 03 Fevereiro 2018 09:29
 
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