Editorial
Escrito por Redação  
Sexta, 09 Fevereiro 2018 11:31
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Inesperadamente ou não, a Frelimo e a Renamo decidiram a revisão pontual da Constituição da República de Moçambique, sem antes consultar os moçambicanos através de um referendo como manda a Constituição. Mas pouco importa a consulta, até porque os moçambicanos já estão habituados a esse tipo de teatro protagonizado por actores amadores de muito mau gosto de sempre. Sem sombras de dúvidas que a preparação da revisão da lei-mãe começou a ser feita em silêncio – e em segredo, deixando de lado as outras forças políticas, a sociedade civil e o povo.

Tudo indica que a coligação Frenamo, sobretudo as suas duas equipas cravadas na Assembleia da República vão se movimentar, qual orquestra, para acomodar os interesses dos seus partidos políticos – na sua maioria, não explicado -, ao invés de resguardarem os legítimos interesses de um povo que é forçado a viver na pobreza e na ilusão de que os seus “doutos” representantes - os mesmos que regularmente se comportam quais símios quando esbarram em um cacho de bananas - cuidarão do seu destino.

Discursando à Nação, o Chefe de Estado, Filipe Nyusi, revelou aos moçambicanos que como corolário das negociações secretas que ele e o líder do partido Renamo têm encetado ao longo dos últimos 13 meses acordaram os termos para a descentralização exigida por Afonso Dhlakama que vão implicar “a revisão pontual da Constituição da República de Moçambique”.

Ou seja, o sistema eleitoral, por sufrágio universal, será alterado, designadamente a eleição do Presidente da República, dos deputados da Assembleia da República, dos Membros das Assembleias Provinciais, autárquicas e distritais. Como resultado disso, os membros eleitos para as Assembleias Provinciais, sejam de partidos políticos maioritários é que vão propor o nome para ser nomeado pelo Presidente da República, a assumir o cargo de Governador Provincial, e o mesmo procedimento nos distritos e autarquias, mas nomeado pelo ministro de tutela, a partir das eleições a decorrer este ano de 2018.

Com isso, os moçambicanos serão obrigados a escolher o cabaz preparado pelos partidos políticos, ao invés de um indivíduo que possa dirigir os destinos das suas vidas. Além disso, essas situação vai acabar com o multipartidarismo, abrindo espaço para a bipolarização partidária. Mais uma vez a nossa jovem democracia vai receber um valente golpe.

Portanto, a Frelimo e a Renamo, na sua habitual chatice congénita, continuam a demonstrar desprezo absoluto por alguns princípios básicos da democracia, valendo-se da maioria parlamentar, e prosseguem indiferentes ao eleitor, ao povo e à opinião pública.

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