Editorial
Escrito por Redação  
Sexta, 23 Março 2018 07:55
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Desde Janeiro de 2017, Moçambique tem estado a dar calote aos credores da dívida que foi ilegalmente tornada pública pelo Governo da frelimo. Esta semana, uma equipa roboticamente preparada aldrabar os credores, chefiada pelo ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, foi a Londres ajoelhar-se aos detentores das dívidas contraídas, violando a Constituição da República e as leis orçamentais, para pedir a sua reestruturação.

Os credores da Proindicus, EMATUM e MAM, embora não concordem em receber daqui a uma década o dinheiro que investiram, mostraram-se abertos a negociar, mas tudo indica que é pouco provável que se alcance algum acordo imediatamente. Na verdade, Maleiane e a sua turma foram a Londres implorar o perdão da metade da dívida atrasada, ou seja, 318 dos 636 milhões de dólares norte-americanos de dívida que já devia ter sido paga.

Diga-se em abono da verdade que essa súbita preocupação em renegociar a dívida ilegal deve-se ao facto de que o Governo pretende voltar a endividar-se, particularmente para financiar o investimento de cerca de 2 biliões de dólares que a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) terá que realizar nos próximos meses, âmbito da Decisão Final de Investimento do projecto liderado pela Anadarko na Área 1 da Bacia do Rovuma.

Diante dessa situação, o povo moçambicano devia mostrar a sua indignação em relação às dívidas e também ao bando de incompetentes que compõem o Governo que inconsequentemente tem estado a dirigir os destinos deste país. Os moçambicanos não devem aceitar, de modo algum, pagar por algo que não se beneficiaram. É, sem sombras de dúvidas, um estapafúrdio aceitar que o Governo da Frelimo, usando o nome dos moçambicanos, negoceie a reestruturação da dívida. Além de internamente terem surgidos vozes a afirmarem que os moçambicanos não devem pagar essa dívida, também o Comité para o Jubileu da Dívida considerou que a proposta de reestruturação da dívida mantém o erro de obrigar os moçambicanos a pagarem por algo que não sabem.

Portanto, não há dúvidas de que os moçambicanos deveriam sair às ruas para protestar contra toda essa injustiça, pois as consequências já se fazem sentir na mesa dos cidadãos nas horas das refeições. Só um povo ignorante e que desconhece os seus legítimos direitos é capaz de aceitar de ânimo leve tamanha roubalheira.

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