Editorial
Escrito por Redação  
Sexta, 30 Março 2018 09:22
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Os acontecimentos, que marcaram esta semana, relacionados com o acidente de viação que vitimou 26 pessoas e deixou outras com ferimentos graves no bairro Luís Cabral, em Maputo, e o sequestro do jurista, jornalista e comentador da STV, Ericino de Salema, são sintomáticos da precariedade da sociedade que temos estado a erguer.

Em menos de uma semana, os moçambicanos foram surpreendidos com dois factos bastante chocantes e indignantes. A primeira situação deu- -se no domingo último (25), quando um cidadão, com perfil desses novos endinheirados moçambicanos que despoletam como cogumelo depois da chuva, fazendo-se transportar numa viatura de alta cilindrada e fugindo da Polícia de Trânsito, colheu um grupo de pessoas que participava numa festa organizada na via pública, no bairro Luís Cabral, na cidade de Maputo. A segunda foi o sequestro de Ericino de Salema no início da tarde de terça-feira (27) defronte do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) por desconhecidos que o amarraram e violentaram antes de o abandonarem nos arredores do distrito de Marracuene, na cidade de Maputo.

Embora se trate de dois acontecimentos distintos, ambos chamam atenção sobre o estado decadente da nossa sociedade e do nosso Estado. Enquanto um revela a imprudência e irresponsabilidade no volante, o outro mostra o quão podre anda a nossa liberdade de expressão. Fazer-se ao volante embriagado e ignorar a Polícia de Trânsito vai-se tornando numa prática comum pelo país e as autoridades competentes continua a fazer vista grossa a essa realidade.

Em relação aos sequestros e tortura física e psicológica aos cidadãos por expressarem publicamente as suas opiniões, esta é mais uma prova de que ainda estamos longe de nos tornarmos efectivamente um Estado democrático. Hoje, os moçambicanos vivem intimidados por quem controla os meios do Estado. Infelizmente, a falta do bom senso e a violação dos direitos humanos continua ai, aparentemente sem rosto, a decidir sobre os destinos dos moçambicanos e da pátria. E graça aos meios de comunicação social, especificamente os independentes, que fazem com que todos os moçambicanos estejam a par dos acontecimentos, dos passos dados por um e por outro e que têm contribuído de forma significativa para colocar no debate toda essa imoralidade que grassa no país.

Portanto, toda essa situação é reflexo do descaso do Estado moçambicano e falta de princípios e valores dos seus cidadãos. Mas, diga-se em abono da verdade que, vale a pena lutar, para que, um dia, tenhamos um país decente.

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