Editorial
Escrito por Redação  
Sexta, 17 Agosto 2018 06:37
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É grave a forma como tem vindo a decorrer o processo com vista à paz efectiva de Moçambique, após as hostilidades entre as Forças de Defesa e Segurança e os homens armados da Renamo. O referido processo, diga-se em abono da verdade, prossegue em silêncio e em segredo. Esporadicamente e de forma lacónica, os moçambicanos são dados a conhecer apenas parte do consenso alcançado.

Esta semana, Governo e a Renamo formaram quatro comissões de trabalho compostas por 22 elementos, sendo 11 para cada lado, nomeadamente para Assuntos Militares, Grupo Técnico Conjunto para Enquadramento Representantes do Governo, Grupo Técnico Conjunto para Desarmamento, Desmobilização e Reintegração Representantes do Governo e Equipa de Monitoria e Verificação Representantes do Governo. As já criadas comissões têm como objectivo a prossecução e a materialização do dossier sobre o desarmamento da Renamo e a desmobilização e reintegração dos seus homens armados, bem como a inclusão dos seus oficiais no Exército e na Polícia.

Não obstante se tratar de uma decisão importante para o país, tendo em conta que a mesma surge no âmbito dos consensos que têm sido alcançados pelas partes, com vista à paz afectiva, a mesma abre precedentes para que se volte a as situações num passado recente. Para evitar que isso volte acontecer, é importante que o processo seja transparente de modo os moçambicanos saibam o que está por detrás de todos os acordos assinados e promoções de oficiais vindo da Renamo.

Um dos aspectos que tornaria o processo transparente é sem dúvidas o envolvimento de outras forças vivas da sociedade moçambicana. O que não se percebe é o porquê de outros partidos políticos não terem sido convidados para fazer parte do processo que decide o futuro dos moçambicanos. Nem a sociedade civil e tampouco as organizações da sociedade civil foram envolvidos. O mais intrigante é que o Governo e Renamo criaram também um Grupo Internacional de Contacto, constituídos por embaixadores de alguns países.

Essa é uma situação inaceitável, porque o envolvimento da sociedade civil e outros partidos no processo é o mínimo que se esperava, sobretudo de um Governo que sempre andou a cantar a necessidade de se resolver os problemas internos entre os moçambicanos. Se pretende-se criar um país inclusivo e não se volte a assistir a hostilidades, é necessário que os outros actores estejam envolvidos nesse processo que hoje é visto como excludente.

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