Editorial
Escrito por Redação  
Sexta, 28 Setembro 2018 07:47
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Arrancou, na última terça-feira (25), a campanha eleitoral que vai desaguar nas eleições autárquicas no próximo dia 10 de Outubro em 53 municípios do país. As imagens sobre a campanha trazidas pelas nossas televisões especializadas em maltratarem, alienarem e desorientarem a população analfabeta, rotineira e sem o mínimo de consciência crítica, mostram-nos, uma vez a outra, até ao enjoo, o descaramento de certos partidos políticos.

Quando se deles esperava moderação e, de alguma maneira, contenção, os partidos políticos legitimam o mais hipócrita de todos os princípios de que em Moçambique o momento de caça ao voto, o esbanjamento, a ostentação e o exagero são as palavras de ordem. O dia 10 de Outubro é, sem dúvidas, uma grande oportunidade para os moçambicanos fazer a diferença. É o dia em que os moçambicanos têm de se lembrar do sofrimento que passam sendo transportados em “My love”, qual gados. É o momento para dizer não ao lixo, covas na estrada, problemas gaves de saneamento, sobretudo nos mercados, entre outras situações que apoquentam os munícipes.

Aliás, é quase público e notório que parte dos moçambicanos foi domesticado/amestrado, desde a infância, a votar de forma cultural, rotineira e automática num determinado partido, mesmo que, no passado, o tal partido os tenha delapidado. Para esses moçambicanos não importa o que os seus dirigentes fazem no poder e com o país contanto que sejam indivíduos ou partido da mesma tribo, além de ser a melhor opção para continuarem a levar água ao seu moinho, e os outros que se amanhem.

Desde o início da campanha até ao dia de votação, os moçambicanos têm 15 dias para pensar de forma consciente e não na quantidade de capulanas, camisetes e outras ninharias narcotizantes e estupidificantes que habilmente amealharam durante o processo. Os eleitores devem se lembrar de que estes políticos não são exemplos para ninguém, o que irão fazer logo após serem eleitos é, sem sombras de dúvidas, garantir que os seus filhos e familiares venham ficar a cobertos de preocupações financeiras no futuro, como tem feito até então.

É óbvio que cada moçambicano é livre de exercer o seu direito de voto, segundo a sua consciência e redemoinho das necessidades. Mas as nossas escolhas devem ser frutos de uma reflexão e não de cumprimento de um ritual. Devemo-nos lembrar de tudo que não foi feito por omissão e por negligência política. Portanto, o dia 10 não deixa de ser uma oportunidade para os moçambicanos mudarem o rumo dos seus municípios, se não querem continuarem a passar pela mesma humilhação.

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