Editorial
Escrito por Redação  
Sexta, 21 Dezembro 2018 08:06
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Os discursos do Presidente da República, Filipe Nyusi, sobretudo quando se dirige a Nação moçambicana, já começam a provocar náusea, devido ao excesso de nada. Como sempre, o Chefe de Estado brindou- -nos mais uma vez com um informe que foi, na verdade, um documento cheio de parra e uva nenhuma. Aliás, o que ficou claro é que o Presidente reconhece que em Moçambique está tudo na mesma, os moçambicanos continuam a viver na mesma desgrenhada miséria, continua a faltar unidades sanitárias, o acesso à água potável continua uma miragem, sem falar do esclarecimento das dívidas legais que se encontra engavetado na secretária da Procuradora-Geral da República.

Desde o primeiro ano do seu mandato, Nyusi tem vindo a demonstrar que vive com a cabeça nas nuvens e não faz ideia do que se passa no nosso país, facto esse também é fruto da bajulação que tem merecido. Os moçambicanos, sobretudo aqueles que leva a vida honestamente, vivem sufocados com o custo de vida, que agudizou com a descoberta das dívidas ilegais das empresas Proindicus, EMATUM e MAM. Mas mesmo assim o Presidente da República, que começou por dizer que o estado da Nação não era “satisfatório, mas também não era mau”, passando por “firme” e agora “estável”, continua a lançar areia para os olhos do povo.

No seu discurso enfadonho e demagógico, o Chefe de Estado ignorou uma série de aspectos que clamorosamente preocupam os moçambicanos. Nyusi perdeu a oportunidade de explicar aos moçambicanos os frequentes ataques às populações de Cabo Delgado. Deveria falar o que está a ser feito para o esclarecimento das dívidas ilegais, que ele mesmo é parte do problema. Esperava-se que o Presidente da República explicasse o que o seu Governo está fazer para acabar com a fome e a pobreza que continua a castigar milhares de moçambicanos.

Nyusi optou por um discurso triunfalista e cheio de frases feitas. Diga-se em abono da verdade, Nyusi usou o seu informe para fazer a sua propaganda barata, antevendo eleições presidenciais no próximo ano. Falar de que o Estado vai pagar o 13º salário dos funcionários públicos e agentes de Estado foi o cúmulo. Isso não é mais do que obrigação do Estado, e assim como um direito do próprio cidadão. E, como quem anunciava uma grande novidade, o Presidente, fazendo um aproveitamento político, disse que a escolaridade passa a ser gratuita até 9ª classe. Para quem esteve atento, claramente se apercebeu de que se trata de mais uma das alterações na Lei do Sistema do Ensino Nacional de Educação, e não uma inovação do Presidente.

Portanto, o Chefe de Estado devia preocupar-se em apresentar aos moçambicanos, por sinal, segundo as suas próprias palavras, o seu patrão, um discurso mais próximo da realidade.

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Actualizado em Sábado, 22 Dezembro 2018 09:11
 
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