Editorial
Escrito por Redação  
Sexta, 15 Fevereiro 2019 07:25
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Depois de anos a fingir que nada está a acontecer, a Procuradoria-Geral da República (PGR), qual uma virgem pudica, decidiu encenar uma peça na vã tentativa de lavar a sua imagem. A PGR quer convencer aos moçambicanos que sempre estive preocupado (e andou a investigar) com o caso das dívidas contraídas de forma ilegal pelo Governo da Frelimo.

Subitamente, começaram a correr informações sobre as detenções de algumas figuras envolvidas numa das maiores roubalheiras de todos os tempos. O primeiro nome que começou a soar é a de Teófilo Nhangumule e, mais tarde, ficamos a saber da prisão de Gregório Leão, António de Rosário e assim por diante. Os moçambicanos menos atentos e sem nenhuma emoção crítica devem ter achado a iniciativa do Ministério Público louvável, quando, na verdade, se trata de uma tentativa de distrair os moçambicanos dos reais problemas do país, sobretudo num ano eleitoral.

Na verdade, as pseudo-detenções públicas levadas a cabo esta semana não passam de uma trapaça, um atestado de estupidez para os moçambicanos, um teatro mal encenado por um punhado de gente que vive na modorra física sustentado pelos contribuintes para fazer valer as leis. Sem sombras de dúvidas, o Ministério Público está a tentar proteger os indivíduos e deve ter consultado-os se queriam ou não ser presos e em quê condições isso deveria acontecer.

Assistimos a PGR a encetar diligências junto das autoridades competentes da República da África do Sul e dos Estados Unidos da América para salvar Manuel Chang, antigo ministro das Finanças que assinou Garantias bancárias violando a Constituição da República de Moçambique, de um julgamento por fraude electrónica, fraude de valores mobiliários, suborno e branqueamento de capitais. Além disso, é de conhecimento de todos que a denúncia da PGR ao Tribunal Administrativo pode ter prescrito.

Há sensivelmente quatro anos que se conhece os indivíduos envolvidos nas dívidas ilegais, mas a PGR fazia ouvidos moucos. Aliás, a PGR que deveria defender os interesses do Estado moçambicano, que tem sido defraudado impiedosamente todos os dias, tem estado do lado dos gatunos. A título de exemplo, assim que o antigo ministro das Finanças foi preso, a PGR acordou do coma profundo em que se encontrava a vegetar, e apresentou uma suposta lista de arguidos no caso. Portanto, é no mínimo estranho essas detenções.

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Actualizado em Sábado, 16 Fevereiro 2019 10:47
 
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