Editorial
Escrito por Redação  
Sexta, 22 Março 2019 07:36
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Nunca se está preparado para um Ciclone de categoria 4. A medida que as telecomunicações são restabelecidas é possível ver o terror enfrentado por meio milhão de pessoas na noite e madrugada de quinta e sexta-feira passadas, difícil de descrever em palavras é o assobiar do vento forte que arrancou todos os tectos, partiu vidros, deitou abaixo árvores, postes de energia, telecomunicações... arrasou com a cidade da Beira.

Que o nosso país é um dos mais vulneráveis do globo aos eventos extremos da natureza não é novidade, milhões de dólares têm sido gastos em estudos e consultorias para provar o que o povo sente todos os dias: o clima mudou. Planos para prevenção e mitigação, redução, de acção, quinquenal não faltam. O que não tem havido é dinheiro para tornar realidade o slogan do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC): “Mais vale prevenir que remediar”!

À parte da liderança política dos últimos anos o INGC está dotado de profissionais capacitados e experientes, assim como o são muitos dos executivos que representam as diferentes instituições do Estado no Centro Nacional Operativo de Emergência, o drama é que funciona sem fundos ao longo do ano para acções de prevenção e quando a época chuvosa o Governo não tem disponibilizado o dinheiro necessário para remediar. Desde 2015 que só têm sido desembolsado cerca de 20 por cento das necessidades inscritas no Plano de Contingência, um instrumento obrigatório à luz da Lei 15/2014.

(I)Daí resultam situações caricatas que culminam com a morte de pessoas. Durante 3 dias o INGC não conseguiu comunicar e coordenar as suas acções porque, tal como o povo, dependia das telecomunicações normais, a instituição não tem um único telefone satélite ou um kit completo de comunicações alternativas em caso de apagão, como aconteceu. Os drones, propagandeados como uma solução para encontrar vítimas, afinal não voam com mau tempo e não tem grande autonomia de voo, não passam de brinquedos.

Além disso a comunicação voltou a falhar com os países vizinhos, tal como em 2015 o Malawi não alertou para a onda que inundou e acelerou o rio Licungo, o Zimbabwe não preveniu sobre o transbordar da sua barragem o que precipitou as cheias no Búzi e Púnguè.

Contudo o IDAI terá sido, dos 16 ciclones tropicais que fustigaram Moçambique desde 1980, aquele que mais foi alertado ao povo. Os beirenses admitem hoje que menosprezaram os avisos, embora a maioria não tivesse meios para sair da cidade e procurar refúgio longe dos locais onde o impacto era mais do que esperado.

Não há dúvida que o momento é de ainda resgatar os cidadãos situados e prestar assistência aos sobreviventes porém com Nação temos de reflectir e rever as prioridades. O dinheiro nunca chega para tirar o povo das casas precárias que se danificam na menor intempérie mas existe sempre para a vida faustosa dos dirigentes e auto proclamados libertadores da pátria.

Idaí? É preciso reconstruir e investir numa Beira resiliente, mas que desde sempre foi preterida pelo partido que governa Moçambique desde a independência, afinal é conotada como o centro da oposição!

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