População do sul e centro de Moçambique continua a mais infectada pelo VIH/SIDA
Vida e Lazer - Saúde e bem Estar
Escrito por Emildo Sambo  
Sexta, 15 Julho 2016 08:27
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As províncias de Gaza, com 25.1%, Manica e Sofala, com 15.3% e 15.5%, Maputo e a capital moçambicana, com 19.8% e 16.8%, respectivamente, permanecem as mais contaminadas pelo VIH/SIDA, em todo o país, o que é agravado pelo facto de a adesão ao Tratamento Anti-Retroviral (TARV) ser ainda incipiente e haver um aumento, a cada ano, de casos de abandono a esta terapia devido em parte ao estigma, à discriminação e fraca alimentação, segundo o Gabinete Parlamentar de Prevenção e Combate à chamada pandemia do século.

Saimone Macuiane, presidente daquele órgão, apresentou na quinta-feira (14) o seu relatório sobre a matéria, tendo salientado que a lei não obriga as pessoas a fazer o teste, mas os deputados devem servir de exemplo para a população, submetendo-se a exames de seroprevalência.

Baseando-se nos dados do INSIDA 2009, que indica que Moçambique apresenta uma prevalência de VIH de 11.5% na população adulta de 15 a 49 anos, o Gabinete Parlamentar indicou que os governos das províncias da Zambézia, com 12.6% da população infectada, do Niassa (3.7%), de Cabo Delgado (9.4%), Nampula (4.6%), Tete (7%), Inhambane 8.6% e do resto do país estão a envidar esforços no sentido de reduzir os índices de contaminação.

Todavia, os factores que concorrem para o contágio continuam inalteráveis, nomeadamente as “relações sexuais com múltiplos parceiros, o sexo entre pessoas de gerações diferentes, o início precoce da actividade sexual, o uso incorrecto do preservativo”.

Saimone Macuiane disse ainda que as escolas também não ajudam os educandos a adoptar comportamentos seguros, o papel das famílias e estruturas comunitárias na educação de jovens é fraco, as práticas culturais e determinadas normas sociais aumentam o risco de contaminação.

Para além da prostituição infantil e dos casamentos prematuros, cujas acções de combate não surtem os efeitos desejados, o deputado queixou-se da exibição, pelas televisões, de programas que propiciam o início precoce do sexo, da prostituição infantil, dos casamentos prematuros, entre outros males.

No país estima-se que 1,6 milhões de pessoas vivem com VIH, das quais 200.000 são crianças abaixo dos 15 anos de idade, e cerca de 68% são mulheres, o que faz com que a epidemia seja considerada fortemente feminina.

Aliás, entre os jovens de 15 a 24 anos de idade, a prevalência é maior entre as mulheres (11,1%) do que nos homens (3,7%), pelo que a problemática do VIH/SIDA é considerada dramática em Moçambique.

Para Macuiane, a situação não de todo preocupante, pois do trabalho feito nas províncias concluiu-se que o país regista melhorias no acesso a serviços de saúde. Um número considerável de unidades sanitárias dispõe de laboratórios, vários exames médicos já são realizados localmente, há aumento de homens que participam nas consultas pré-natais com as suas mulheres e adesão massiva à circuncisão médica masculina.

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