FIPAG vicia dados sobre consumo de água em Nampula
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Escrito por Cristóvão Bolacha  
Terça, 27 Janeiro 2015 11:03
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Pelo menos 100 clientes do Fundo de Investimentos e Património do Abastecimento de Água (FIPAG) no bairro de Mutauanha, em Nampula, estão preocupados com o facto de terem recebido facturas daquela empresa contendo dados falsos sobre o consumo de água. Além da suposta viciação das cifras, os lesados desconhecem a leitura do mês de Dezembro, pois os dados inscritos nas facturas estão acima dos existentes nos contadores que registam o dispêndio do precioso líquido.

Há dois meses que centenas de clientes do FIPAG não recebem as facturas de consumo de água potável e, muito menos, os gestores de zona responsáveis pela leitura de dados nos contadores. A título de exemplo, a maior parte dos consumidores do bairro de Muatauanha tem conhecimento de que a última leitura foi efectuada no mês de Novembro de 2014, e a anterior tinha tido lugar em Agosto.

Segundo apurámos a partir de alguns consumidores, para efectuarem o pagamento, eles eram obrigados a dirigir-se aos escritórios do FIPAG para solicitarem o extracto dos valores de consumo mensal, nos quais deviam liquidar, e só na segunda-feira (19) é que os gestores de zona decidiram distribuir as facturas.

Os consumidores não hesitaram em reclamar diante daqueles funcionários. Porém, sem nada a explicar, aqueles agentes não mostraram disponibilidade em ajudar os clientes. Indignados com a suposta viciação de dados referentes ao consumo do mês de Dezembro, alguns moradores deslocaram-se ao FIPAG para exigirem esclarecimentos sobre a situação, mas sem sucesso.

O @Verdade fez uma ronda no bairro de Muatauanha onde conversou com diversos consumidores lesados com a suposta viciação de dados nas facturas. Elisa Sanjo não escondeu a sua insatisfação em relação à situação que a deixa agastada com a aquela instituição.

“Não faz sentido pagar ao FIPAG sobre um consumo que não constitui verdade. A minha torneira não jorra há meses, mas dizem que devo desembolsar mais de 300 meticais”, lamentou Sanjo que sublinhou a necessidade de se fazer uma leitura todos os meses.

Diga-se, em abono da verdade que, como forma de evitar conflitos no que diz respeito aos valores de consumo, aquela consumidora tratou de encaminhar dados sobre o consumo ao FIPAG nos meses em que o gestor de zona não procedia à leitura do seu contador. Segundo a nossa interlocutora, a iniciativa partiu de um dos apontadores num dos dias do mês de Novembro em que trazia a factura.

“Fui aconselhada por um dos gestores para, em casos de notar o desaparecimento dos apontadores, para que registasse os dados referentes ao consumo e, igualmente, encaminhá-los ao FIPAG. Levei as informações concernentes ao mês de Dezembro para evitar o processamento de facturas com valores falsos”, referiu Sanjo.

Conversámos, igualmente, com Salquina Atia, residente no bairro de Mutauanha. Ela está há dois meses sem receber a factura de consumo mas, para evitar dívidas, ela tratou de requisitar o extracto nas instalações daquela empresa e liquidou o que havia consumido nos meses anteriores.

Na sua moradia, ela recebeu uma factura contendo dados de consumo que variam de 400 a 412, numa diferença de oito metros cúbicos (m3), mas o contador apontou 393 metros cúbicos. Segundo a nossa interlocutora, os gestores que fizeram a última leitura na segunda-feira (19) ficaram preocupados com a situação, mas tinham que registar aquilo que o contador apontou.

“Estamos preocupados e queremos saber da proveniência dos dados impressos pelo FIPAG relativamente ao consumo de Dezembro, pois não recebemos o gestor encarregue de apontar as informações de consumo. Pedimos esclarecimentos sobre o incidente”, disse, lamentando igualmente o facto de ter sofrido para alcançar o precioso líquido e de a torneira não ter jorrado na época da quadra festiva.

Manuel Sapatinha é um dos lesados cuja penúltima leitura foi efectuada em Agosto de 2014. Porém, depois de muito tempo, o apontador chegou à sua casa na segunda-feira última onde deixou a factura com dados completamente falsos. No seu domicílio, o contador aponta 89 metros cúbicos, mas na factura consta 91 a 97.

Sapatinha dirigiu-se, na quinta- -feira (22), ao serviço de atendimento ao público do FIPAG para se inteirar da questão que está a tirar o sono de dezenas de clientes daquela empresa de fornecimento do precioso líquido. Ele foi surpreendido com taxas adicionais referentes aos meses em que não recebia as facturas.

“A última leitura do ano de 2014 foi efectuada em Agosto e, desde então, o gestor só voltou a apontar dados em Janeiro corrente, altura em que fui surpreendido com dados falsos. Tive que pagar uma multa de que desconheço a proveniência”, lamentou Sapatinha preocupado com a gestão da água naquela zona residencial.

Torneiras que não jorram água há meses

O bairro a que nos referimos depara com sérios problemas no abastecimento de água potável. Há torneiras que não jorram o precioso líquida há meses, facto que deixa os consumidores indignados porque o valor de pagamento tende a subir a cada mês que passa.

Como alternava, a população recorre a poços tradicionais. Alguns moradores adoptaram o o hábito de tratarem a água nas suas residências para evitarem as diarreias e demais doenças provocadas pela falta de higiene.

FIPAG não se pronuncia

O @Verdade deslocou-se às instalações do FIPAG, mas as tentativas que fez com vista ouvir a versão da direcção redundaram em fracasso. A pessoa indicada para falar à Imprensa estava preocupada com a descoberta da veracidade do teor das mensagens que estão a circular na cidade sobre um suposto envenenamento na estação de tratamento de água.

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