Ministério do Interior fecha Moçambique ao Turismo
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Escrito por Adérito Caldeira  
Terça, 12 Dezembro 2017 07:41
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Fot de Nuno TeixeiraCentenas de cidadãos estrangeiros que escalaram a capital de Moçambique neste domingo(10), à bordo de um navio cruzeiro, foram impedidos de fazer Turismo pelo Ministério do Interior. “O problema que chegou até nós é que o cruzeiro chegou e as pessoas não puderam sair porque a máquina que devia reconhecer os passaportes estava avariada”, explicou ao @Verdade o ministro Silva Dunduro. Há algumas semanas, turistas que chegaram noutro cruzeiro tiveram de escolher entre sujeitarem-se a horas de fila para obterem vistos e ficarem no conforto do navio... preferiram não visitar a cidade de Maputo!

Desde há alguns anos Moçambique entrou no roteiro turístico dos cruzeiros que partem da África do Sul e navegam pelas quentes águas do Oceano Índico. A oportunidade para o nosso país tirar partido desse Turismo vai muito para além das taxas que os navios e visitantes têm de pagar por passarem pelas nossas fronteira.

Da restauração ao artesanato, passando pelos serviços de transporte e monumentos as potencialidades estão cá. Por um lado inexploradas pelos empresários na cidade de Maputo, faltam sugestões de roteiros e diversão que alicie os passageiros a deixarem os cruzeiros , por outro o Ministério do Interior parece ignorar que o Turismo foi consagrado prioridade para diversificação da economia pelo Governo de Filipe Nyusi, pelo menos nos discursos.

Aparentemente inconformados com a política de facilitação da emissão de vistos de turismo nas fronteiras os funcionários da migração esforçam-se por criar entraves a quem venha visitar o nosso país. Além do custo, agora baixou para 50 dólares norte-americanos, os zelosos funcionários arrastam durante cerca de 30 minutos a emissão de um simples vistos cujo processo, de uma forma geral, consiste na leitura biométrica de um passaporte, recolha de impressões digitais e a inserção de alguns dados.

20 mil visitantes que passaram pelo Porto não se transformaram em 20 mil turistas

Entretanto o @Verdade apurou que há algumas semanas cerca de três centenas de viajantes de um cruzeiro que atracou no porto de Maputo preferiram não deixar o navio para não se darem ao incómodo de passar pelos funcionários da migração. Nesse dia, como aliás tem sido prática, estiveram presentes somente dois “guichés” de processamento. Se cada visto demora 30 minutos a ser tratado, 100 turistas precisavam de mais de 2 dias para terem as suas entradas tratadas para uma visita de poucas horas à chamada “cidade das acácias”.

O demorado processo de emissão do visto turístico de fronteira acontece também nos aeroportos internacionais e nas fronteiras terrestres onde visitantes são tratados como se fossem migrantes ilegais.

Foto do Porto de MaputoMas os entraves criados pelo Serviço Nacional de Migração(SENAMI) não se ficam pela demora, o @Verdade soube, durante a 1ª sessão do Fórum do Turismo, dirigido pelo primeiro-ministro, que a instituição subordinada ao Ministério do Interior decidiu adicionar mais 1 dólar norte-americano ao custo do visto, “para pagar o formulário”!

Osório Lucas, director-executivo do Porto de Maputo, revelou que mesmo quando não é necessário passar pela fila dos vistos, se os visitantes são oriundos de países da África Austral, grande parte dos turistas prefere ficar dentro do cruzeiro onde além do conforto da sua cabine, da comida e bebidas, tem várias opções de lazer que não encontram paralelo na cidade.

“Insegurança, imagem negativa da cidade, falta de oferta de roteiros turísticos e de conteúdos capazes de atrair o turista” são alguns dos factores que segundo Osório Lucas, falando durante o Fórum de Turismo, contribuem para que os 20 mil visitantes que passaram pelo Porto no ano passado não se tenham transformado em 20 mil turistas.

Aliás o diretor do Porto de Maputo revelou que para esta temporada “a MSC passou de 1 cruzeiro semanal em 2016/2017 para apenas dois em toda a época de cruzeiros”, que dura seis meses.

“Cruzeiro chegou e as pessoas não puderam sair porque a máquina que devia reconhecer os passaportes estava avariada”

Entretanto o @Verdade apurou que no domingo(10) um cruzeiro que atracou na capital moçambicana por algumas horas, transportando perto de cinco centenas de turistas, não conseguiu que nenhum deles visitasse a cidade de Maputo.

“A migração chegou 45 minutos atrasada, requereu impressões digitais e fotografias de todos os passageiros e trazia apenas dois computadores que não funcionaram. Após 3 horas a cruzeiro cancelou a paragem em Maputo e partiu” disse ao @Verdade um dos passageiros, de origem norte-americana, visivelmente aborrecido e com a convicção que “Moçambique não quer turistas”.

Foto do Porto de MaputoO @Verdade contactou a assessoria de imprensa do SENAMI para apurar o que teria acontecido mas a porta-voz ficou de pedir autorização superior para se pronunciar, e não o fez até ao fecho desta edição.

Todavia o ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro, confirmou ao @Verdade ter sido informado sobre o sucedido. “O problema que chegou até nós é que o cruzeiro chegou e as pessoas não puderam sair porque a máquina que devia reconhecer os passaportes estava avariada” afirmou.

“Nós pensamos que deve haver alguma negligência porque há programação da chegada dos navios e alguma não correu bem, eu percebi da comunicação que tive com o meu colega(Ministro do Interior) que iam responsabilizar o diretor da cidade(de Maputo)”, acrescentou o ministro Dunduro visivelmente impotente diante da atitude do Ministério do Interior que desde sempre tem sido um dos maiores entraves ao Turismo em Moçambique.

Hoje tentam complicar o processo de emissão de vistos que o Governo ao mais alto nível já assumiu “devem ser simplificados”, mas há vários anos que os agentes da Polícia de Protecção assim como da Polícia de Trânsito são “minas” sempre presentes no trajecto dos turistas.

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