Bancos comerciais não se sentem encorajados, nem pelo Presidente de Moçambique, a baixar as suas taxas de juro
Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  
Sexta, 22 Dezembro 2017 08:38
Share/Save/Bookmark

O Banco de Moçambique(BM) vai voltar a reduzir nesta sexta-feira(22) a Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano assim como o Indexante Único para o mês de Janeiro de 2018. Todavia os bancos comerciais não sentem que isso seja encorajador para baixar as suas taxas de juro. “As taxas de juro poderão abrandar se as condições de mercado evoluírem favoravelmente” disse em exclusivo ao @Verdade o presidente da Associação Moçambicana de Bancos(AMB), Teotónio Comiche. O facto é que essas taxas de juro altas, que asfixiam as famílias e o sector produtivo, contribuíram lucros bilionários da banca moçambicana.

A Prime Rate que em Dezembro estava taxada em 27,25% vai baixar para 27%, também o Indexante Único reduzirá de 21,25% para 21% no próximo mês, indica um comunicado conjunto da AMB e do BM tornado público nesta quinta-feira(21).

Entretanto um outro comunicado, das referidas instituições, informa que nenhumas das 20 instituições financeiras a operarem na banca comercial nacional vai reduzir as suas margens (spread máximo de risco de crédito) no mês de Janeiro de 2018 mantendo insuportáveis para o sector produtivo e as famílias honestas as taxas de juro, apesar de desde finais de Outubro o banco central ter iniciado a redução da sua taxa única de referência para as operações de crédito em Moçambique.

Ignorando os resultados positivos da economia, referidos pelo Presidente Filipe Nyusi no seu Informe sobre o Estado da Nação, os bancos comerciais mantiveram os seus altíssimos spreads.

As instituições financeiras de microcrédito continuam a ser as instituições que mais asfixiam as famílias e ao sector produtivo, o Opportunity Bank vai continuar a cobra até 48% de margem máxima de risco para créditos ao Consumo e também para empréstimos de curto ou de longo prazo.

O Banco Socremo continua a taxar em 42,25% créditos para créditos à Habitação ou ao Consumo e ainda para os empréstimos de curto, e nos empréstimos de longo prazo cobra até 40,25%.

Os três bancos que controlam mais de 70% da quota do mercado, o Millennium Banco Internacional de Moçambique(MBIM), o Banco Comercial e de Investimentos(BCI) e o Standard Bank também não alteraram as suas altas taxas de juro.

“Efeito das altas taxas de juro, contribui para a degradação de qualidade creditícia causando o aumento do crédito mal parado”

O @Verdade questionou ao presidente da AMB porque motivo os seus associados não baixam as taxas de juro, apesar da lamentação da sociedade e sector privados assim como dos apelos do Governo e deputados da Assembleia da República, baixarem as taxas de juro.

“Não obstante estes sinais positivos, o panorama das elevadas taxas de juro continua afectar tanto a procura como a oferta de crédito na economia. Para as empresas e famílias, o agravamento do serviço da dívida afecta negativamente o consumo interno, a capacidade produtiva e investimento, deterioração do ambiente de negócios. Do lado da banca, o efeito das altas taxas de juro, contribui, também, para a degradação de qualidade creditícia causando o aumento do crédito mal parado e consequentemente o reforço do custo de provisionamento (imparidades) e consumo de capital dos Bancos” esclareceu Teotónio Comiche ao @Verdade.

O presidente da Associação Moçambicana de Bancos explicou ainda, em exclusivo ao @Verdade, que “a taxa de juro depende essencialmente de quatro factores: (i) o custo de funding que reflecte a captação de recursos, (ii) o risco de crédito avaliado pela probabilidade de incumprimento do mutuário, (iii) o perfil da política monetária e (iv) a rendibilidade exigida pelos accionistas dos bancos”.

MBIM, BCI e Standard Bank tiveram lucros de mais do dobro das receitas dos 53 municípios

Foto cedida pela Foto cedida pela Associação Moçambicana de Bancos(“A perfomance destas variáveis influencia o comportamento das taxas de juro no mercado interbancário. As taxas de juro poderão abrandar se as condições de mercado evoluírem favoravelmente. O mercado é dinâmico, por isso, não podemos afirmar com exactidão quando as taxas de juro poderão desacelerar” disse ainda Comiche entrevistado pelo @Verdade por correio electrónico.

Relativamente ao facto das taxas de juro altas terem contribuídos para lucros de biliões de meticais para os bancos comerciais o presidente da AMB afirmou que “os lucros gerados pela banca no exercício anterior estão em parte associados ao crescimento da margem financeira (diferença dos juros de operações activas e juros de operações passivas)”.

“Importa referir que o bom desempenho de resultados alcançados resultou também de comissões e despesas cobradas em serviços domésticos e internacionais. Portanto os proveitos financeiros (juros) não constituem a única fonte de receita dos bancos. Por outro lado, a gestão prudente e equilibrada dos custos operacionais contribuíram para a maximização dos lucros da actividade bancária”, concluiu Teotónio Comiche.

O facto é que num ano de evidente recessão o MBIM, o BCI e o Standard Bank ganharam mais de 9 biliões de meticais em lucros, durante o exercício económico de 2016, mais do dobro das receitas obtidas pelos 53 municípios de Moçambique, que arrecadaram pouco mais de 4,7 biliões.

Comentar


Código de segurança
Atualizar

Actualizado em Sexta, 22 Dezembro 2017 11:50
 
Avaliação: / 1
FracoBom