O Ambiente, que lhe valeu um prémio de Mérito na Conservação, foi esquecido pelo Presidente Nyusi no seu Estado da Nação
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Escrito por Adérito Caldeira  
Quinta, 28 Dezembro 2017 08:29
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O Ambiente foi esquecido pelo Chefe de Estado no seu Informe sobre o Estado da Nação. Filipe Nyusi, que em 2016 até recebeu um prémio de Mérito na Conservação, este ano apenas fez menção a “Operação Tronco” ignorando que Moçambique continua a ser porta de entrada e saída dos caçadores de rinocerontes e que a matança ao elefante recrudesceu, até ao início de Dezembro 332 paquidermes tinham sido mortos nas Reservas nacionais. Enquanto isso o Ministério de tutela esteja desnorteado a fazer carteiras escolares e instituições bancárias ignorando que o desmatamento não pára nas florestas assim como a caça furtiva.

O capítulo sobre o Estado da Nação Ambiental do Informe feito no passado dia 20 na Assembleia da República, pelo Presidente Nyusi, apenas refere que “Relativamente à Reforma do Sector Florestal, registámos uma melhoria da fiscalização do Sector, com a introdução de um modelo de fiscalização móvel, através da “Operação Tronco”. Nesta operação, foram apreendidos mais de 150 mil metros cúbicos de madeira preciosa de diversas espécies, noventa por cento dos quais na forma de madeira em toros e dez porcento na forma de madeira processada e semi-processada.”

“Os recursos angariados neste processo foram direccionados para a fabricação de carteiras escolares, reforçando assim o Programa de Produção e Distribuição de Carteiras Escolares”, concluiu o Chefe de Estado não fazendo qualquer menção aos restantes problemas florestais, que incluem desmatamento também protagonizado por camponeses.

Aliás importa notar que apesar dos sucessos alcançados com a “Operação Tronco”, e à parte dos operadores multados, não se conhecem Funcionários do Estado que tenham estado envolvidos na facilitação do corte e exportação da madeira que diga-se continua a ser serrada nas florestas nacionais.

Nyusi, agraciado com o prémio de Mérito na Conservação atribuído pela International Conservation Caucus Foundation, informou ao moçambicanos que em 2016 a caça furtiva do elefante reduziu para 75 animais e que o rinoceronte reapareceu nas Áreas de Conservação do Sul.

Todavia no Informe deste ano nem sequer mencionou a caça furtiva, que voltou a aumentar em Moçambique. As Reservas do Sul continuam a ser as portas de entrada dos caçadores furtivos que vão abater rinocerontes na África do Sul enquanto no Centro e Norte o elefante voltou a ser caçado massivamente.

Em 2017, de acordo com a Administração Nacional das Áreas de Conservação(ANAC), pelo menos 332 elefantes foram abatidos em todas Reservas do país. O @Verdade sabe que na semana passada mais um elefante foi abatido na Reserva Nacional do Niassa.

O Chefe de Estado ignorou também, no seu Estado da Nação, que através dos Portos e Aeroportos Moçambique continua a ser umas das principais portas usadas pelos traficantes de cornos de rinocerontes e marfim resultantes da caça furtiva.

Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural desnorteado

“No decurso do corrente ano, no âmbito da iniciativa Terra Segura, asseguramos o registo de 526 mil DUAT no sistema de informação e gestão de terras, superando a meta prevista para a fase 1 que era de 500 mil DUAT” declarou ainda Filipe Nyusi que no entanto não explica como foram sanadas as ilegalidades que o seu Governo até reconheceu existirem no processo de atribuição do Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT) sobre sete mil hectares na Península de Afungi, Distrito de Palma, em Cabo Delgado, à Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, E.P. para a implantação da Fábrica de Liquefacção de Gás Natural pela multinacional Anadarko.

Paralelamente, e à parte dos conflitos de terra que todos os dias são reportados em zonas urbanas, camponeses continuam a reclamar a usurpação das suas machambas pela multinacional Portucel que as ocupa para expandir as suas plantações de eucaliptos.

Visivelmente desnorteado o Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural de um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas, como é Moçambique, está mais empenhado na produção de carteiras escolares, na edificação de instituições bancárias, na formação de extensionistas rurais e até na construção de estradas e pontes em vez de disciplinar o uso da terra e proteger as florestas e fauna.

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