Atraso na abertura dos postos de votação, troca de cadernos, falta de electricidade ... abstenção deverá vencer em Nampula
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Escrito por Adérito Caldeira  
Quinta, 25 Janeiro 2018 08:03
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Foto de Júlio PaulinoA chuva deu tréguas, o sol brilhou mas cerca de metade das assembleias de voto não abriram às 7 horas para que milhares de “nampulenses” pudessem escolher esta quarta-feira(24) o substituto de Mahamudo Amurane, barbaramente assassinado no passado dia 4 de Outubro. Depois a Comissão Nacional de Eleições(CNE) e o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral(STAE) garantiram a habitual (des)organização, com o apoio da Electricidade de Moçambique, que deverá resultar em nova vitória da abstenção na capital Norte de Moçambique.

Halima Momade não foi a machamba, chegou pouco depois das 6 horas a Escola Primária de Napipine com a filha de 2 anos às costas para ser a primeira a escolher um dos cinco candidatos a presidente do Concelho Municipal da cidade de Nampula. Mas nenhuma das 11 mesas de votação abriu as 7 horas como estava previsto, pior nem representante do STAE ou algum dos membros membros de votação ali estavam para explicar quando poderia votar.

Na Escola Primária de Namicopo passavam vários minutos das 7 horas quando a assembleia de voto começou a ser instalada. Wilsone Assane estava impaciente, para o chefe de família a tolerância de ponto é uma formalidade que não lhe abrange pois é “empreendedor”, tem de ir ao mercado abrir a sua banca para ganhar o que precisa para alimentar a família ainda hoje.

Os atrasos repetiram-se em outras centenas de assembleias de voto, o @Verdade constatou que as 8h46 a votação ainda não havia iniciado na Escola Primária Completa de Nampaco, onde quatro mesas deveriam ter sido instaladas.

Dados preliminares da plataforma de Observação Eleitoral, um dos grupos de sociedade civil que monitorou a eleição intercalar em Nampula, estimaram que 47% das 401 mesas de votação não abriram as 7 horas.

Oficialmente a CNE e o STAE culparam uma alegada chuva intensa que caiu na noite de terça-feira(23) pelos atrasos na distribuição dos kits com os materiais de votação. Contudo o Instituto Nacional de Meteorologia registou apenas 2,6 milímetros de precipitação na cidade de Nampula durante esse período.

Ademais inúmeros membros de mesas de voto(MMV) relataram que os kits não estavam preparados nas primeiras de quarta-feira(24) e outros disseram que aguardavam o subsídio de alimentação para se deslocarem as respectivas assembleias de votação.

“Nampulenses” voltaram a abdicar do seu direito cívico

Com a votação a decorrer, e enquanto os candidatos depositavam os seus boletins, os eleitores madrugadores começaram a deparar-se com problemas nos cadernos de votação. Alguns não encontraram os nomes nos cadernos indicados no seu cartão de eleitor, outros constavam nos cadernos na posse dos MMV´s mas não apareciam nas cópias na posse dos fiscais dos partido de oposição o que originou a interrupção do processo em pelo menos duas ocasiões na Escola de Malimusi.

O Centro de Integridade Pública(CIP) reportou que cinco agentes da Unidade de Intervenção Rápida foram permitidos votar na Escola Primária Completa de Muatala sem exibir qualquer documento. Já na Escola Primária Completa de Namuato B, cinco pessoas votaram sem apresentar qualquer documento, com a autorização de um representante do STAE porém, de acordo com o CIP, na mesma escola, houve caso de pelo menos uma pessoa com cartão de eleitor válido mas não foi permitido votar.

Com o passar das horas a afluência foi diminuindo e durante a período da tarde grande parte das assembleias de voto esteve vazia, esporadicamente um ou outro eleitor fez presente, o que ditou o encerramento quase pontual as 18 hora de todas as assembleias de voto.

À parte da falta de electricidade em diversas assembleia de votação os primeiros editais confirmaram o que foi visível ao longo do dia: os “nampulenses” voltaram a abdicar do seu direito cívico, tal como o haviam feito em 2013 quando somente 57.808 eleitores, dos 223.649 inscritos, votaram.

Até ao fecho desta edição os resultados que o @Verdade foi compilando indicavam uma disputa à dois entre Amisse Cololo, o candidato do partido Frelimo, e Paulo Vahanle, o candidato do partido Renamo.

Após gastar mais de 38 milhões de meticais as autoridades eleitorais torcem para que o novo edil, que vai ter um mandato de menos de 1 ano, seja escrutinado nesta votação como deixou claro o porta-voz da CNE em Nampula, Albertino Luís, quando afirmou que "Não estamos preparados para uma eventual 2ª volta”.

* Com Júlio Paulino

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Actualizado em Segunda, 29 Janeiro 2018 08:18
 
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