Green Resources em “restruturação” continua sem trazer o prometido desenvolvimento à província de Nampula
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Escrito por Júlio Paulino  
Terça, 05 Junho 2018 08:08
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Foto de Júlio PaulinoCerca de setecentas famílias das comunidades de Meparara, Mesa, Lacheque e Namacucu, no posto administrativo de Ligonha, distrito de Ribáuè, na província de Nampula, continuam a clamar pelas suas machambas que foram usurpadas pela Green Resources Moçambique com a promessa de compensações justas que até hoje não aconteceram. Além disso a “reestruturação” da multinacional norueguesa que produz eucaliptos e pinheiros deixou pelo menos cem trabalhadores no desemprego.

Instalada na província de Nampula desde 2009 para estabelecer e gerir de forma sustentável as plantações florestais comerciais, a fim de gerar produtos florestais para uso doméstico e de exportação (produção de energia, painéis de partículas e polpa; madeira serrada e postes de transmissão); sequestro de carbono; conservação das florestas naturais e biodiversidade; desenvolvimento económico e social das áreas e comunidades a Green Resources Moçambique confirmou ao longo destes nove anos os receios das comunidades onde se implantou.

Não apenas plantou eucaliptos e pinheiros nas terras marginais que o Governo lhe atribuiu como ainda alargou as suas monoculturas para terras onde ancestralmente camponeses moçambicanos produziam comida sem os compensar pela usurpação. Há poucas semanas o @Verdade regressou às comunidades onde Green Resources Moçambique está instalada e constatou que os problemas não só continuam por resolver como tornaram-se mais graves.

Foto de Júlio PaulinoOlhando para os eucaliptos e pinheiros com vários metros de altura os camponeses não têm a ilusão de recuperar as terras de onde tiravam o seu sustento e por isso clamam mais alto por justas compensações reconhecidas não só pela multinacional norueguesa mas também pelos deputados da Comissão de Agricultura, Economia e Ambiente da Assembleia da República que em 2016 visitaram os locais.

Para além da justa compensação pelas terras onde faziam machambas as comunidades visitadas pelo @Verdade continuam a aguardar pelas salas de aula, unidades sanitárias e outras infra-estruturas que os representantes da Green Resources Moçambique prometeram há cerca de uma década.

Green Resources Moçambique em “fase de restruturação”

“Não fomos compensados pelas culturas e nossa casas que ocuparam, a pouca terra que restou para machamba já não produz porque falta água que os eucaliptos chuparam” afirmou uma camponesa do posto administrativo de Namigonha sede, distrito de Ribáuè.

“Com o dinheiro da vendas dos meus produtos, consegui comprar uma carrinha, assegurar estudos dos meus filhos e ter uma vida melhor, mas hoje tudo passou para a história”, lamentou outro camponês que foi forçado a abandonar a sua área de cerca de 70 hectares onde este produzia mandioca, hortícolas, milho e fruteiras e, após vários anos de reclamações junto da Green Resources Moçambique, recebeu apenas 3 mil meticais de compensação.

A multinacional norueguesa, contactada pelo @Verdade, revelou que os seus projectos estão numa “fase de restruturação” e por isso a serem implementado a um nível mais baixo, basicamente só decorrem actividades de silvicultura daí ter prescindido de grande parte da mão-de-obra local que empregava.

Sobre alegada suspensão de financiamento que estaria a afectar os seus projectos, por parte da Norfund (The Norweigian Investiment Fund For Developing Conuntries), a empresa esclareceu ao @Verdade que a instituição financeira norueguesa “mantém a sua parceria com a Green Resources, tal como inicialmente”.

Foto de Júlio PaulinoQuestionada sobre a actual situação do diferendo que a opõem aos cidadãos que perderam as suas machambas com compensações injustas a Green Resources Moçambique respondeu, por correio electrónico, que: “Para além dos processos de compensação e as reclamações passadas que mereceram a nossa atenção, não chegaram a nós, novos casos de reclamações de compensações”.

Organizações da Sociedade civil viradas para defesa dos interesses das comunidades elaboraram uma petição que contou com mais de dez mil assinaturas que foi submetida ao Ministério de Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural e Agricultura e Segurança exigindo ao Executivo de Filipe Nyusi repor o cumprimento da Lei de Terras, assegurando que os direitos das comunidades no acesso a terra, água e alimentos sejam respeitados.

Volvidos mais de um ano o Governo de Filipe Nyusi, que defende que o povo é seu patrão, ainda não respondeu a esta petição.

Encontros realizados com embaixada da Noruega também revelaram-se infrutíferos.

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