Produção de gás natural em Moçambique adiada para finais de 2023
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Escrito por Adérito Caldeira  
Quinta, 28 Junho 2018 08:36
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Foto de Adérito CaldeiraA produção de gás natural em Moçambique através da fábrica flutuante (FLNG no acrónimo em língua inglesa) que será instalada pela ENI e os seus parceiros na Área 4 do campo Coral, na província de Cabo Delgado, só deverá iniciar “entre finais de 2023 e princípios de 2024”, revelou o PCA do Instituto Nacional de Petróleos (INP), adiando as expectativas por mais um ano.

O ansiado momento em que Moçambique vai entrar para o selecto grupo de países produtores e exportados de Gás Natural Liquefeito (GNL) está adiado em cerca de um ano. É que as actividades subsequentes à Decisão Final de Investimento, que aconteceu em Junho de 2017, da italiana ENI e dos seus parceiros na concessão offshore da Área 4 atrasaram o início da produção, inicialmente prevista para 2022, em cerca de um ano.

“Os concessionários começaram neste momento com as actividades de construção do navio do floating LNG, essas actividades decorrem fora do país uma vez que o navio está sendo construído em estaleiros próprios, e esperamos que a sua deslocação para o país aconteça até finais de 2023”, revelou Carlos Zacarias, o Presidente do Conselho de Administração do INP.

Falando em conferência de imprensa em Maputo, nesta quarta-feira (27), o responsável máximo pelo órgão regulador do sector de petróleo e gás em Moçambique precisou que: “Nessa altura altura teremos a fase de comissionamento do projecto, testes e instalação do próprio navio que irá levar a produção de gás e a sua liquefação esperando-se que o primeiro gás e os primeiros cargos de LNG aconteçam entre finais de 2023 e princípios de 2024”.

A confirmar-se, a revelação de Carlos Zacarias é principalmente uma má notícia para o Governo do partido Frelimo que tem na produção de gás natural existente na bacia do Rovuma grande parte das suas expectativas para tirar Moçambique da crise económica em que o mergulhou.

Aliás as negociações que o Executivo de Filipe Nyusi está a encetar com os credores das dívidas ilegalmente contraídas pelas empresas Proindicus, EMATUM e MAM assentam na expectativa que o gás natural liquefeito do campo de Coral Sul, onde existem reservas de 87 triliões de pés cúbicos, comece a ser produzido em 2022 e que as primeiras receitas fiscais, ainda que pequenas, começassem a ser arrecadas em 2023.

ArquivoRecorde-se que em Maio último o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela, perspectivou na Assembleia da República que “(...)Moçambique possa iniciar a produção e exportação de gás natural liquefeito a partir do último trimestre do ano de 2022”.

Esta fábrica flutuante de gás natural liquefeito é a materialização do projecto de 8 biliões de dólares norte-americanos que está a desenvolvido pela multinacional italiana ENI, que tem como seus parceiros a Chinese National Petroleum Corporation, a portuguesa Galp, a sul-coreana Kogas e o Estado moçambicano, representado pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos.

As expectativas governamentais é que com o início da exportação do GNL de Coral Sul o Estado moçambicano possa arrecadar 19 biliões de dólares norte-americanos durante os 25 anos da produção, resultantes de Imposto Sobre a Produção do Petróleo, IRPC e da partilha do petróleo.

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