Linhas Aéreas de Moçambique “khenyadas” pelo Moçambola; IGEPE ainda não nomeou Comissão de Gestão
Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  
Quinta, 12 Julho 2018 08:15
Share/Save/Bookmark

Grafismo de Nuno TeixeiraA imposição do Moçambola pelo Presidente Filipe Nyusi terá sido uma das decisões que “khenyou” as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). O @Verdade descobriu que a Liga Moçambicana de Clubes (LMF) é um dos maiores devedores da companhia aérea de bandeira nacional com um saldo actual de 95 milhões de meticais. Uma semana após decidir a cessação de funções dos membros do Conselho de Administração (CA) das LAM o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) ainda não criou a anunciada Comissão de Gestão da empresa. O @Verdade sabe que convidados a demitirem-se nem todos os membros do CA o fizeram e continuam a trabalhar normalmente.

Quando em Abril passado as LAM decidiram suspender o crédito que davam à LMF esta instituição que gere o Campeonato Nacional de futebol da 1ª divisão no nosso país tinha acumulado, nos últimos 4 anos, dívidas de 115.082.409 meticais.

Relatórios e Contas da companhia aérea de bandeira nacional a que o @Verdade teve acesso, com exclusividade, mostram que a 31 de Dezembro de 2014 a Liga Moçambicana de Clubes devia 26.974.655 meticais que aumentaram para 31.030.475, a 31 de Dezembro de 2015, e mais do que duplicaram para 65.921.275 meticais a 31 de Dezembro de 2016.

Para a evitar a suspensão da prova, sem a amortização da dívida, o Presidente da República, Filipe Nyusi, interveio. Declarou primeiro que: “(...) o Moçambola já não é uma actividade de uma pessoa, ou de um grupo de pessoas, ou de uma Liga ou de uma direcção, o Moçambola é um actividade do povo moçambicano, pertence ao povo” e depois Nyusi instruiu o Ministério da Terra Ambiente e Desenvolvimento Rural, o único com disponibilidade financeira, para pagar 33 milhões de meticais às Linhas Aéreas de Moçambique, montante relativo apenas a dívida dos primeiros meses de 2018.

O Moçambola prossegue mas a dívida acumulada mantém-se e voltou a crescer, o @Verdade sabe que actualmente está cifrada em 95 milhões de meticais. “Dava para abastecer os nossos aviões durante quase 10 meses” desabafou uma fonte da companhia área moçambicana.

Mas para além da dívida da LMF no fecho das contas 2017 as LAM tinham mais de 531 milhões de meticais a receberem de diversas instituições.

O @Verdade apurou que as empresas com dívidas acima da dezena de milhões são a Empresa Moçambicana de Seguros, 29.851.219 meticais, a Moçambique Celular, 26.693.385 meticais, a Sociedade Notícias, 24.933.589 meticais, a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, 20.640.961 meticais, o Clube de Desportos da Maxaquene, 14.571.054 meticais, e até mesmo o Banco Nacional de Investimento, 10.327.842 meticais.

Juntam-se a estes clientes devedores um rol de instituições governamentais e de soberania que o @Verdade não conseguiu identificar mas que juntas devem mais de 155 milhões de meticais à companhia aérea de bandeira moçambicana, dívidas essas que arrastam-se há mais de 5 anos.

Conselho de Administração cessou funções mas continua a gerir as LAM

Entretanto, uma semana após decidir em Assembleia Geral extraordinária a cessação de funções dos membros do Conselho de Administração composto por António Pinto, Hélder Fumo, Carlos Sitoe e Faizal Gafar, o IGEPE ainda não indicou quem são os membros da Comissão de Gestão que anunciou na quinta-feira (05) ter criado para, “transitoriamente, assegurar o normal funcionamento da empresa”.

“Ainda não foram nomeados, quando forem nomeados vamos informar publicamente”, esclareceu em contacto telefónico com o @Verdade a Presidente do Conselho de Admnistração do IGEPE que acrescentou: “Vamos indicar as pessoas, mas a LAM está a trabalhar”.

Efectivamente as Linhas Aéreas estão a voar, ainda com atrasos e reprogramações de voos, no entanto o @Verdade confirmou que desde a anúncio público da sua cessação de funções António Pinto, Hélder Fumo, Carlos Sitoe e Faizal Gafar continuam a realizar normalmente as suas actividades de gestão.

O @Verdade sabe que para evitar situações de pedidos de indemnização os quatros membros do CA foram convidados pela PCA do IGEPE, Ana Coanai, a submeterem os seus pedidos de demissão após deixarem em terra o primeiro-ministro de Moçambique na passada quinta-feira (05). Contudo nem todos os membros do CA submeteram essa carta de demissão, questionada sobre o facto Ana Coanai disse: “Eles cessaram as funções, isso é que é o mais importante”.

O @Verdade descobriu que a forma de desvinculação dos gestores de topo das LAM é um assunto sensível porque a empresa está também a ser “khenyadas” por antigos gestores como é o caso de Iacumba Aiuba, Administrador Delegado entre Julho de 2014 e Fevereiro de 2016, que após ser demitido e indemnizado como gestor público recorreu aos tribunais para ser ressarcido como gestor e uma empresa privada, afinal as Linhas Aéreas de Moçambique são uma Sociedade Anónima, e ganhou em 1ª instância o direito de ser indemnizado em 23 milhões de meticais.

O @Verdade sabe que a companhia aérea nacional recorreu mas enquanto não sai nova decisão o tribunal congelou as contas bancárias da empresa que na altura não tinha esse montante em saldo e nem mesmo conseguiu que algum banco comercial lhe emitisse uma garantia bancária no montante.

Outra gestora que ficou milionária só à custa da indeminização de demissão foi Marlene Manave, justamente a antecessora de Iacumba Aiuba, que o @Verdade apurou ter embolsado aproximadamente 6 milhões de meticais.

Comentar


Código de segurança
Atualizar

 
Avaliação: / 1
FracoBom