Banco de Moçambique interrompe descida das taxas directoras aguardando resultados eleitorais e pela Paz
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Escrito por Adérito Caldeira  
Quarta, 24 Outubro 2018 07:54
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Apresentação do Banco de MoçambiqueEmbora Rogério Zandamela destaque os resultados positivos das negociações com os bancos comerciais para a redução das taxas de juro do crédito à economia o último Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique (BM) decidiu “cautelosamente”, enquanto aguarda pelos resultados das Eleições Autárquicas e das negociações para a Paz, interromper a descida das taxas directoras de referência mantendo a de Política Monetária (MIMO), nos 15 por cento estabelecidos em Agosto, a taxa da FPC inerte nos 18 por cento, desde Abril, assim como a taxa da FPD continua nos 12, desde Agosto.

Falando em conferência de imprensa em Maputo, nesta segunda-feira (22), o Governador do BM esclareceu que influenciou a decisão da 5ª sessão do CPMO deste ano “a incerteza quando ao ciclo eleitoral, o pacote de descentralização e da desmilitarização e o seu impacto na consolidação fiscal que está em curso. Incerteza quando aos preços de combustíveis líquidos e outros bens e serviços administrados”.

“A nível internacional também continuam as mesmas magnitude dos impactos da crescente tensão comercial e geopolítica entre as principais economias; impacto da volatilidade dos preços das commodities, com efeitos sobre os preços domésticos e a nossa balança de pagamentos; e a volatilidade do dólar e a rand da África do Sul”, detalhou Zandamela.

Contudo esta cautela e prudência do Banco de Moçambique parece contrastar com a sugestão do Fundo Monetário Internacional, de existir espaço para continuar a relaxar a política monetária, e com a expectativa do sector financeiro que previa mais uma descida da taxa MIMO pois a taxa de juro real está nos 10 por cento.

Ainda assim o Governador do banco central assinalou “a maior caída da taxa Prime Rate desde que ela foi introduzida. Isso é em boa parte resultado das negociações que nós tivemos com a banca, foram longas, duraram 9 meses, mas o resultado é positivo, se vê, é isso que nós queremos”.

Efectivamente após o acordo rubricado com a banca comercial o Prémio de Custo do dinheiro baixou pela primeira vez em Moçambique, desde o lançamento do processo de transparência de fixação das taxa de juro de crédito dos bancos comerciais em Julho de 2017, em 80 pontos base reduzindo a Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano no início do mês de Outubro para 20,40 por cento.

Para além de manter inertes a taxa MIMO, a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez (FPC) e a taxa de juro da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) o Comité de Política Monetária deliberou ainda não alterar o coeficiente de Reservas Obrigatórias para os passivos em moeda nacional, fixando em 14 por cento, e em moeda estrangeira, estabelecido em 27 por cento.

“Crédito a economia continua estagnado porque a banca tem ainda preferência sobre títulos do Estado”

 

Apresentação do Banco de Moçambique

No entanto Rogério Zandamela constatou que apesar das taxas de juro ao retalho continuarem a cair, estão a 23,4 por cento, “o crédito à economia continua estagnado” e revelou a existência de “indícios de crescente de crédito mal parado”.

Os bancos comerciais embora tenham muita liquidez parecem pouco incentivados a emprestarem dinheiro aos empresários e às famílias moçambicanas, como aliás assinalou o Governador do BM “os agregados monetários não se reflectiram em maior crédito à economia, podem ver um crescimento dos agregados monetários de quase 8,8 por cento mas o crédito a economia continua estagnado porque a banca tem ainda preferência sobre títulos do Estado e outras aplicações de instrumentos financeiros”.

Ademais a liquidez dos bancos comerciais é tanta que nem parecem interessados em captar depósitos, como notou Zandamela uma “coisa um pouco atípica é a caída substancial da taxa de juro de depósito, que caiu significativamente mais do que as outras taxas, em 1 mês caíram de 14,35 para 10,65 (por cento)”.

Sendo cada vez mais certo que a crise estancou o facto é que a retoma da economia continua a tardar, por outro lado é cada vez mais uma miragem o regresso às taxas directoras de um dígito do início de 2016.

Mais confortável está o banco central no que as Reservas Internacionais diz respeito. “(...)Temos um aumento das reservas de 70 milhões passando de 3,12 biliões de dólares para 3,19 biliões de dólares norte-americanos. Isso é uma grande notícia, não é fácil alcançar este tipo de resultados num ambiente em que há uma gestão, há eleições, há todas as pressões de gastos que nós conhecemos, mostra que o nosso país continua com condições mais fortalecidas para honrar os seus compromissos com o exterior”, disse Rogério Zandamela.

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Actualizado em Quarta, 24 Outubro 2018 08:24
 
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