Aumentou para 64 alunos por professor o rácio no ensino primário em Moçambique, no Norte ultrapassa os 70 estudantes
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Escrito por Adérito Caldeira  
Sexta, 16 Novembro 2018 08:02
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O rácio de professores por alunos no ensino primário piorou em Moçambique para níveis anteriores a 2014 estando em 64 estudantes para cada docente, dramáticas são as turmas no Norte onde ultrapassam os 70 alunos. Paradoxalmente o Governo reportou no Balanço do 1º Semestre de 2018 do seu PES que o rácio havia melhorado para níveis do primeiro mundo: 20 alunos por professor nas províncias de Nampula e Zambézia, 10 alunos por docente em Tete e Manica.

Quando Filipe Nyusi assumiu a Presidência de Moçambique existia uma média de 62 professores por cada turma do ensino primário do 1º e 2º graus. Com muito boas intenções propôs no seu Plano Quinquenal 2015 a 2019 a reduzir esse rácio para 57.

Desde então, e mesmo depois da suspensão do apoio directo ao Orçamento de Estado por parte dos Parceiros internacionais, a Educação tem recebido o maior quinhão orçamental.

Durante o seu primeiro ano de governação o rácio aumentou, para 63 alunos por turma. No entanto em 2016 a proporção começou a reduzir para 62 e em 2017 chegou aos 60 estudantes por cada professor.

Para este ano a meta era baixar para 59 alunos por turma e quiçá por isso no Orçamento de Estado para 2018 a verba para o sector da Educação tenha alcançado um máximo nominal histórico de 52 biliões de meticais, mais 7,6 que no ano anterior mais ainda assim foram surpreendentes os dados extremamente satisfatórios do Balanço do Plano Económico e Social do 1º Semestre de 2018 que mostrou, em algumas províncias, a descida do rácio para níveis do ensino primário de países do primeiro mundo.

O rácio da província de Nampula que era de 70,4 alunos em 2017 baixou para 20 estudantes por turma tal como na província da Zambézia onde estava nos 65,3. Fenomenais foram os rácios reportados para a província de Tete que tinha 60,5 baixou para 10 alunos por turma assim como na província de Manica o Balanço do Plano Económico e Social do 1º Semestre de 2018 indica uma redução de 48 para 10 alunos por professor.

“Nós queremos aqui reconhecer que no Balanço do Plano Económico e Social(PES) do 1º Semestre de 2018 esses indicadores foram digitados incorrectamente, temos que corrigir. O rácio 20 (para Nampula, Zambézia) ou 10 (em Tete e Manica) não é possível”, reconheceu o ministro da Economia e Finanças na segunda-feira (12) durante uma Audição na Comissão do Plano e Orçamento da Assembleia da República.

Norte de Moçambique com mais de 70 alunos por cada professor primário

O @Verdade apurou que em vez de diminuir o rácio alunos por professor está a aumentar em Moçambique.

Na província de Inhambane a proporção cresceu de 45,1 para 46,3 estudantes por professor, em Gaza passou de 48,2 para 49,9 alunos por sala de aulas e na província de Maputo aumentou de 53,9 para 57,7 crianças. Na cidade de Maputo foi onde o rácio cresceu menos passando de 58,7 para 58,8 alunos por docente.

Na província de Tete aumentou de 60,5 para 63 alunos por professor, em Manica cresceu de 48 para 52,4 estudantes por turma enquanto em Sofala o rácio passou de 58,1 para 62,7 crianças por docente.

Mais dramático é o cenário no Norte do país, na província do Niassa passou de 60,1 para 65,2 alunos por turma. Em Cabo Delgado aumentou de 67,1 para 71,6 estudantes por professor. Na província de Nampula a proporção ascendeu de 70,4 para 74,1 crianças por professor.

A expectativa do Executivo é que com a contratação de 6060 novos professores, em 2019, o rácio possa reduzir para 62,7 alunos por cada turma do ensino primário.

No entanto sem o aumento do número de escolas e com a população a crescer a um ritmo acelerado é pouco provável que o rácio desça significativamente nos próximos anos.

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