Moçambique derrotado por Angola falha apuramento para o principal Mundial de hóquei em patins
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Escrito por Adérito Caldeira  
Segunda, 11 Março 2019 08:18
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A selecção de Moçambique de hóquei em patins foi derrotada neste domingo (10) por Angola, 5 a 3, e está fora do principal Mundial que vai decorrer em Barcelona. Desde 2011 a trajectória dos “Ngonhamas” tem sido decrescente evidenciando a falta de investimentos numa modalidade onde o nosso país detém, ainda, a melhor posição africana de sempre, o 4º lugar de San Juan. “Há uma realidade completamente distinta entre o hóquei que se pratica na Europa e o hóquei que se pratica em África, e nós temos que dar tempo ao tempo" justificou-se o seleccionador Pedro Nunes sobre a utilização apenas dos luso-moçambicanos durante todo o jogo.

Depois da incompetência de Moçambique em organizar o 1º Campeonato Africano de hóquei em patins e com uma preparação de menos de 3 dias era expectável que a selecção não conseguisse impor-se aos angolanos.

Podendo contar apenas com os cinco experientes internacionais a estratégia de Pedro Nunes foi defender à zona e procurar o golo em contra ataque. Carlos Silva, Mário Rodriguez, Bruno Pinto, Filipe Vaz e Filipe Nabais aguentaram 9 minutos de pressão alta da seleção anfitriã mas por ironia em contra ataque finalizado por Anderson Silva “Nery”.

Jogando no pavilhão Multiúsos do Kilamba, em Luanda, quase lotado a selecção da casa manteve a pressão e no minuto 12 ganhou mais uma disputa de bola pela esquerda, o esférico chegou a Humberto Mendes “Big” que isolado não falhou diante de Carlos Silva.

Pedro Nunes pediu um desconto de tempo e reviu a táctica. Bruno Pinto mostrou que a partida não estava decidida, acertou no travessão com uma stickada de longe. A 4 minutos do intervalo Filipe Vaz marcou para Moçambique.

Mário Rodriguez aguentou a pressão por detrás da baliza angolana, esperou o seu companheiro aproximar-se e serviu Filipe que no meio de dois adversários stickou sem chances para Chico Veludo.

Depois do intervalo o seleccionador moçambicano manteve o cinco luso-moçambicano que iniciou o jogo e a partida manteve a toada de ataque lá, ataque cá. O experiente Mário Rodriguez tentou enganar o arbitro, simulando uma falta, mas acabou por ver um cartão azul e foi descansar a deixando “Ngonhamas” reduzidos a 4 jogadores. Os angolanos aumentaram a pressão mas Carlos Silva estava imperial defendendo até livre directo soberbamente marcado por Martin Payero.

Numa jogada que parecia inofensiva Mário Rodriguez ganhou a bola a meio campo, tinham decorrido os 2 minutos de suspensão temporária, disparou para a baliza, fintou o guarda-redes angolano e empatou. Fez-se o silencio no pavilhão Multiúsos do Kilamba.

Sem opções para rodar o seu cinco os jogadores de Moçambique começavam a evidenciar algum cansaço, enquanto os angolanos mantinha a pressão alta e procuravam o golo de todas as formas. Numa jogada de insistência acabaram por voltar para a frente do placar graças a uma stickada do capitão André Centeno.

Embalados, tinha decorrido 10 minutos da 2ª parte, os angolanos ampliaram a vantagem. Forte stickada de Martin Payero, o guarda-redes Carlos Silva tentou defender mas a bola só parou no fundo da baliza.

Continuando a procurar o contra ataque os “Ngonhamas” mantinha-se na disputa pelo lugar na elite mundial. Mário Rodriguez foi travado e ganhou um penalti que no entanto não conseguiu transformar em golo, boa defesa do guarda-redes angolano.

Com 5 minutos para jogar o o guarda-redes luso-moçambicano, visivelmente casando, estendeu-se no chão após mais um ataque de Angola e sem sofrer nenhuma falta, contudo os árbitros não pararam o jogo e João Pinto contornou a baliza e stickou para o 5-2.

Pedro Nunes ainda tentou lançar Alfredo Mandlate para o lugar de Carlos Silva na baliza mas o luso-moçambicano só saiu alguns segundos da quadra, não deixou que o jovem moçambicano sequer se estreasse.

Na frente Mário Rodriguez continuava a mostrar a sua classe e em esforço ganhou mais um penálti. A 3 minutos do fim deixou a Bruno Pinto a responsabilidade de marca-lo. O capitão dos “Ngonhamas” esperou o guarda-redes angolana mexer-se e stickou colocado para o 5-3.

“Há uma realidade completamente distinta entre o hóquei que se pratica na Europa e o hóquei que se pratica em África”

Depois a selecção de Angola jogou com o cronómetro e garantiu o seu apuramento para o principal Mundial de hóquei em patins que vai ser disputado em Julho próximo em Barcelona, na Espanha.

“A minha primeira palavra vai para os jogadores de Moçambique, heróis autênticos, cinco jogadores fizeram 50 minutos, nalguns momentos tivemos que jogar com algumas estratégias que eu não gosto particularmente mas que era muito importante para conseguirmos durar os 50 minutos, porque como eu disse ontem só assim é que poderíamos contrariar a melhor equipa de Angola. Acho que o conseguimos e a espaços poderíamos ter feito mais qualquer coisa, mas o cansaço e o esforço, os jogadores foram fantásticos e com uma atitude incrível”, começou por afirmar o seleccionador nacional.

Pedro Nunes disse ainda, aos microfones da televisão pública de Angola, que só usou os cinco luso-moçambicanos no jogo decisivo porque: “Há uma realidade completamente distinta entre o hóquei que se pratica na Europa e o hóquei que se pratica em África, e nós temos que dar tempo ao tempo. Não tenho dúvidas que já se começa a fazer alguma coisa em África, não tenho dúvidas que existem jovens que com o seu tempo vão estar aqui dentro e poder demonstrar esse valor. Agora até lá não há milagres, se queres ganhar tens que jogar com os melhores”.

Além dos cinco luso-moçambicanos fizeram parte da selecção de Moçambique Alfredo Mandlate, Michel Machavule, Manfrete Calange, Kevin Pimentel e Pedro Pimentel.

Com a desistência da África do Sul, por alegadas dificuldades financeiras, o 1º Africano de hóquei foi disputado por somente três selecções. Além de Angola e Moçambique participou o Egipto que começou por ser humilhado pelos anfitriões, por 30-0, e depois perdeu para os “Ngonhamas”, por 12-2.

Com esta derrota a selecção de Moçambique volta a disputar o grupo do B do Mundial, para onde não caía desde 2006. Após o 4º lugar de San Juan na Argentina os “Ngonhamas” foram 7ºs em Angola, em 2013, novamente 7ºs no Mundial da França, em 2015, e caíram para 8º na China, em 2017.

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Actualizado em Segunda, 11 Março 2019 08:34
 
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