Auto-suficiência alimentar é falácia, Moçambique continua importar miudezas, ovos, batatas, hortícolas, arroz, chá até milho
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Escrito por Adérito Caldeira  
Quinta, 22 Agosto 2019 22:43
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Contrariando o discurso oficial de auto-suficiência alimentar em Moçambique as estatísticas de Comércio Externo revelam que durante o ano passado as importações agrícolas cresceram 26,6 por cento, com destaque para a aquisição no estrangeiro de miudezas, ovos, batatas, hortícolas, arroz, chá e até milho. No sentido contrário o INE alerta para a “alta dependência e pouca diversificação das exportações” que continuam dominadas pelo carvão mineral e o alumínio.

As estatísticas de Comércio Externo em 2018, analisadas pelo @Verdade, desmentem toda a retórica de diversificação da economia moçambicana os principais grupos de bens exportados foram Combustíveis Minerais (onde pertence o carvão mineral coque) no valor de 2,3 biliões de dólares norte-americanos, correspondentes a 46 por cento, e Metais Comuns (onde esta inserido o alumínio) com 1,4 bilião de dólares, representando 26.9 por cento de todas exportações. “Este grupo de produtos totaliza 72,9 por cento dos bens vendidos ao exterior, facto que indicia alta dependência e pouca diversificação das exportações”, assinala o documento do Instituto Nacional de Estatística (INE) tornado público esta semana.

“Relativamente aos grupos de produtos tradicionais que têm-se revelado cada vez menos representativos nos últimos anos, face ao surgimento dos recursos minerais de grande valor de exportação, destaca-se o grupo de produtos alimentares com 208.5 milhões de dólares correspondentes a 4,2 por cento (face ao crescimento de 154,8 por cento) e produtos agrícolas com 4,1 por cento (decréscimo de 6,4 por cento)”, indicam as estatísticas de Comércio Externo em 2018 analisadas pelo @Verdade.

O INE destacou, dos 130 países que receberam bens provenientes de Moçambique, o principal destino foi a Índia (27,3 por cento), seguido pela África do Sul (17,4 por cento), os Países Baixos (12,2 por cento), a China (4,8 por cento) e Singapura (4,6 por cento).

No que a importação diz respeito o @Verdade apurou que os principais grupos de bens importados foram os Combustíveis Minerais com um valor de 1,6 bilião de dólares, correspondentes a 23,1 por cento, Máquinas e Aparelhos com 1,3 bilião de dólares e produtos agrícolas com 872,6 milhões dólares. A importação de produtos agrícolas cresceu 26,6 por cento, comparativamente aos 688,9 milhões de dólares de 2017.

Saldo da balança comercial com défice em 1,93 biliões de dólares em 2018

Preocupante é o rol de produtos cuja importação deveria estar a reduzir, a julgar pelos discursos triunfalista de aumento da produção alimentar nacional. O @Verdade descortinou que no ano passado foram gastos 13,4 milhões de dólares na importação de carnes e miudezas comestíveis de aves, comparativamente aos 8,9 gastos em 2017. Com a importação de ovos foram gastos 9,6 milhões, comparativamente aos 6 milhões de dólares do ano anterior. Na importação da batata foram gastos 19,5 milhões de dólares em 2018, quase o dobro dos 10,7 milhões de 2017. Importou-se 20,5 milhões de dólares em hortículas, contra 11,1 do ano anterior. Até chá e milho continuam a ser importados, tendo em 2018 Moçambique gasto 4,3 milhões e 41,5 milhões de dólares, respectivamente.

O @Verdade apurou que a África do Sul continua a ser o principal fornecedor de Moçambique (27,8 por cento), seguido pela China (11,5 por cento), os Emiratos Árabes Unidos (7,5 por cento), os Países Baixos (7,5 por cento) e a Índia (7,1 por cento).

Em 2018, foram transaccionados bens com o exterior no valor total de 11,95 biliões de dólares contra os 10,47 biliões de dólares registados em 2017, “contudo, essa cifra ainda permaneceu abaixo dos níveis mais altos atingidos nos anos 2013 (14,12 biliões de dólares) e 2014 (13,47 biliões de dólares)”, indicou o INE.

As estatísticas de Comércio Externo mostram ainda que o saldo da balança comercial em 2018 deteriorou-se em 911,7 milhões de dólares, situando o défice em 1,93 biliões de dólares no ano 2018, contra os anteriores 1,02 biliões de dólares norte-americanos em 2017 (o valor mais favorável de sempre).

O @Verdade apurou que este défice da balança comercial pesou na balança de pagamentos do Banco de Moçambique que em 2018 teve um défice de 4,3 biliões de dólares norte-americanos, comparativamente aos 2,6 biliões de défice da Conta Corrente do ano anterior.

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