Nyusi falha redução do rácio professor/aluno no ensino primário em Moçambique
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Escrito por Adérito Caldeira  
Segunda, 26 Agosto 2019 21:40
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O Governo de Filipe Nyusi falhou a meta de reduzir o rácio professor por alunos no ensino primário, em 2014 um docente leccionava 62 alunos do 1º grau, em 2019 um professor está a leccionar mais de 65 estudantes. Na Província de Nampula existem professores com turmas de mais de 75 crianças.

Quando assumiu a Presidência de Moçambique, Filipe Nyusi comprometeu-se em reduzir o então rácio de 62 alunos por cada professor primário para 57 crianças por turma até a 5ª classe. No balanço que fez do seu 1º mandato a terminar o 4º Presidente de Moçambique não mencionou até que ponto essa meta teria sido alcançada, ou não.

Em campanha para reeleição Nyusi optou por prometer, discursando na Assembleia da República, “com vista a assegurar o acesso, uma maior equidade e inclusão, bem como reduzir o rácio de professores por aluno, serão contratados até 2024 mais 40 mil professores, construídas mais 7000 salas de aulas o que irá beneficiar mais de 8.2 milhões de alunos.”

Mas o @Verdade descobriu no Balanço do 1º semestre do Plano Económico e Social de 2019 que o Governo admite que a meta de “alunos por professor no Ensino Primário do 1º Grau (ensino público diurno) não alcançada”, pois o rácio aumentou para 65,1 alunos por turma no ensino primário.

O @Verdade apurou que dramática é a situação dos professores na Província de Nampula onde o rácio subiu 69,2 em 2015 para 75,7 alunos por turma, na Província de Cabo Delgado aumentou de 72,4 para 72,9, na Província do Niassa passou de 63 para 68,2, em Sofala era de 60,1 cresceu para 63,9, em Inhambane aumentou de 45,8 para 46,9, em Gaza subiu de 49,2 para 51,6 e na Província de Maputo cresceu de 55,8 para 58,8 alunos por docente.

No sentido inverso reduziu o rácio na Província da Zambézia de 71,9 para 70,3 alunos por cada sala de aulas, em Tete diminuiu de 64,3 para 64 e na Cidade de Maputo o rácio caiu de 61 para 60,4 crianças por professor.

Oficialmente não há justificação mas tal como os restantes sectores a Educação também está a ser afectada pela crise económica e financeira que foi despoletada pelas dívidas ilegais.

Não há escolas para acolher os moçambicanos que terminam a escolaridade primária

Para diminuir o rácio professor/aluno é necessário contratar novos docentes mas também há necessidade de serem construídas novas escolas, em 2014 o défice era de aproximadamente 26 mil salas de aulas para o ensino primário.

Fazendo fé no discurso do Estado da Nação que Filipe Nyusi apresentou no passado 31 de Julho apenas 2.500 novas salas de aulas foram erguida para o ensino primário.

Muito pior é a situação no ensino secundário onde todos os anos são deixados para trás quase 400 mil crianças que terminam a 7ª classe porque simplesmente não existem escolas e nem professores suficientes. É que enquanto as escolas onde se lecciona a 6ª e 7ª classes são 7.454 só existem 539 escola a ministrar a 8ª, 9ª e 10ª classes em todo Moçambique.

Relativamente ao rácio professor/aluno ninguém revela qual é para o ensino secundário.

A solução, explicou a ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, Conceita Sortane, ao @Verdade é o ensino à distância, num país onde os correio só funcionam nos centros urbanos.

Outra solução foi rever o Sistema Nacional de Educação, no ano passado, para que iniciando o ensino secundário na 7ª classe e dessa forma usar as escolas primárias para aumentar o numero de turmas capazes de acolher os finalistas do ensino primário.

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Actualizado em Terça, 27 Agosto 2019 07:45
 
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