SELO: Transição digital tendenciosa e um bloqueio para o sector privado - Por Euclides Da Flora
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Escrito por Redação  
Sexta, 28 Agosto 2015 08:17
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A palavra digital tem origem no latim digitus (palavra latina para dedo), uma vez que os dedos eram usados para contagem discreta.

O seu uso é mais comum em computação e electrónica, sobretudo onde a informação real é convertida na forma numérica binária. O termo digital refere-se à media electrónica que trabalha com codecs digitais no sentido mais amplo.

A media digital é um conjunto de dispositivos de transmissão, processamento e armazenamento de sinais digitais.

A transição do sistema analógico para o digital em Moçambique tem gerado muitos debates, reflexões e estimula a realização de palestras sobre a transparência, o processo, a regulamentação e a legislação desta matéria. Falta pouco tempo para a implementação do sistema digital na Pérola do Índico. Que impactos positivos e negativos esta inovação digital traz para os moçambicanos? Estas interrogações têm criado angústia nos telespectadores.

Os operadores privados de comunicação social foram barbaramente excluídos da comissão de implementação de migração da radiodifusão analógica para o digital. A composição da empresa que será responsável pela distribuição do sinal digital é constituída por operadores públicos, nomeadamente: Rádio Moçambique (RM), Televisão de Moçambique (TVM) e Telecomunicações de Moçambique (TDM).

Conhecendo as agendas do Partido-Estado e a sua habilidade em manipular e controlar as empresas estatais, é notório que este elenco terá a oportunidade exclusiva de competir deslealmente com os operadores privados. Estas companhias vão apagar, bloquear, atrasar e suspender a emissão de conteúdos dos operadores privados de comunicação social. A antevisão deste cenário deixa os operadores em questão em pânico, pois temem ser vítimas de uma vingança por parte da TVM. A concorrência perfeita entre os operadores públicos e privados desaba com a introdução do sistema digital.

A televisão pública serve os interesses do partido no poder e obriga os seus funcionários, de forma humilhante, a omitir, a censurar e a deturpar as informações que ferem a formação política no poder, que igualmente acomoda o vulgo “G40”, que tem a função de pôr em luto o estado de direito democrático e a liberdade de expressão.

Espero que a TDM, a RM e a TVM não superem, de forma trágica, a incompetência da Electricidade de Moçambique (EDM). A migração digital não pode constituir uma despesa para os telespectadores, mas, sim, uma inovação acessível a todos.

Por Euclides Da Flora

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